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China e Rússia contra novas sanções ao Irão

Os Estados Unidos tentaram, ontem, em vão, convencer a Rússia e a China a prolongar o prazo das sanções internacionais contra o Irão, apesar de alegarem que a suspensão do embargo de armas irá desestabilizar o Médio Oriente.

Washington pretende prolongar as sanções ao seu inimigo principal no Médio Oriente, o Irão
Fotografia: DR

Washington apresentou, recentemente, aos 14 parceiros do Conselho de Segurança da ONU um projecto de resolução que prevê uma extensão ilimitada do embargo de armas ao Irão, que expira em 18 de Outubro, mas esta posição foi rejeitada pela China e pela Rússia, que ameaçam usar o seu poder de veto.

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse que a suspensão de embargo de armas ao Irão, situação que se aplicará, se não houver uma extensão do prazo de sanções, como pedem os EUA, colocará uma “espada de Dâmocles” na estabilidade económica do Médio Oriente.

Países como a Rússia e a China, “que dependem de preços estáveis de energia” poderão ficar em risco, explicou o chefe da diplomacia dos EUA, numa videoconferência do Conselho de Segurança da ONU, para tentar convencer os países membros a aprovar a sua proposta. Mas Pequim tem um entendimento diferente e considera que os Estados Unidos não têm condições para continuar a pedir às Nações Unidas a prosseguir com as sanções económicas contra o Irão.

“A China opõe-se à pressão dos Estados Unidos para estender o embargo de armas”, disse o embaixador chinês nas Nações Unidas, Zhang Jun, recordando o facto de terem sido os EUA quem quis abandonar o acordo nuclear com o Irão, em 2018.

Também Moscovo opõe-se às pressões norte-americanas, dizendo que se os EUA continuarem a pedir sanções da ONU contra o Irão, entra-se numa “escalada incontrolável”.

“Não podemos aceitar” as tentativas dos Estados Unidos de legitimar “a política de pressão máxima” junto das Nações Unidas, disse o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia. O diplomata diz que a imposição de novas sanções criará uma “escalada incontrolável” na região e alertou para os riscos colocados pelas exigências norte-americanas.

A Rússia e a China, que já anunciaram as intenções de vender armas ao Irão, disseram, durante a videoconferência do Conselho de Segurança, que votarão contra a prorrogação do embargo, ameaçando mesmo o uso do seu poder de veto, se for realizada uma votação.

Os dois países dizem não poder concordar com o rascunho do projecto de resolução apresentado pelos EUA, onde se lê que qualquer venda de armas ao Irão ficará proibida, autorizando os Estados membros a usar a força militar para fazer cumprir o embargo.

No passado, os EUA já tinham ameaçado desencadear um processo de reposição das sanções internacionais contra o Irão, previsto no acordo nuclear assinado em 2015, mas depois abandonado unilateralmente, em Maio de 2018, pelos Estados Unidos.

Desde a retirada de Wash-ington, a União Europeia, a Rússia e a China continuam como países integrantes do acordo nuclear, negando, assim, aos Estados Unidos o direito de activar esse processo de reimposição das sanções internacionais.

Ontem, Mike Pompeo não invocou essa pressão, lembrando apenas ao Conselho de Segurança da ONU que, se as sanções internacionais forem levantadas, a situação económica no Médio Oriente fica desestabilizada.

Pompeo salientou mesmo o facto de serem países como a China e a Rússia os mais afectados pela instabilidade, na medida em que estão dependentes da estabilidade dos preços da energia na região.

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