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China pronta a ajudar Venezuela após apagão

A China afirmou ontem estar pronta para “prestar assistência técnica” à Venezuela, que sofre desde a semana passada o pior apagão da história do país, no meio de uma grave crise política e social.

A crise política agudizou a situação económica dos venezuelanos
Fotografia: DR

O porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Lu Kang, afirmou que “se o Governo venezuelano precisar de ajuda, a China a prestará da melhor maneira possível”.
Lu Kang revelou que Pe-quim “está muito preocupado” com os apagões e manifestou a esperança de que a Venezuela “possa descobrir a causa do problema e restaurar o fornecimento de energia eléctrica e a ordem social”.
“A China está disposta a oferecer assistência e apoio técnico à Venezuela”, disse o porta-voz.
Questionado se Pequim planeia enviar “especialistas” para a Venezuela em breve, para resolver o problema, Lu Kang limitou-se a afirmar que “não há informações sobre o envio de especialistas”.
O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que o apagão se deve a um “ataque cibernético” coordenado pelos Estados Unidos da América.
Nicolás Maduro disse que iria pedir ajuda à ONU e aos aliados como a China, Cuba, Rússia e Irão, para investigar o alegado “ataque cibernético” que terá causado o apagão.
Lu Kang não confirmou, no entanto, se acredita na versão de Nicolás Maduro.
O chefe do Parlamento venezuelano, Juan Guaidó, liderou esta semana protestos da oposição devido à falha da energia eléctrica.
Em 24 de Janeiro, a China expressou apoio ao Governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, e condenou a “intromissão nos assuntos internos” do país pelos Estados Unidos da América, depois de Washington ter reconhecido o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como Presidente interino.
Na semana seguinte, o Governo de Pequim revelou-se menos enfático no apoio a Nicolás Maduro, afirmando que mantém “contactos estreitos com todas as partes” envolvidas na crise política na Venezuela, “através de vários canais”.
A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de Janeiro, quando Juan Guaidó se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.
Juan Guaidó contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos da América e prometeu formar um Governo de transição e organizar eleições livres.
Nicolás Maduro recusou o desafio e denunciou a iniciativa do presidente do Parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos da América.

Guaidó investigado por sabotagem

O procurador-geral Tarek Saab, fiel a Nicolás Maduro, anunciou a abertura de uma investigação a Juan Guaidó por sabotagem do sistema eléctrico do país.
O anúncio surge na se-quência das acusações de Maduro, que tinha já apontado os Estados Unidos como os responsáveis pelo apagão que deixou parte da Venezuela sem electricidade desde a semana passada.
Já o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, disse que o problema é causado por vários anos de má gestão do Governo.
"O Ministério Público iniciou uma nova investiga-ção contra o cidadão Juan Gerardo Guaidó Márquez pelo seu suposto envolvimento na sabotagem realizada contra o Sistema Eléctrico Nacional (SEN)", disse Saab no Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, em Caracas.
Mais tarde, o ministro da Comunicação e Informação, Jorge Rodriguez, afirmou que o serviço de energia eléctrica tinha sido restaurado em quase todo o país. Além disso, falou que durante a madrugada de quarta-feira os sistemas de distribuição de água, que foram afectados pela falta de energia, começaram a ser activados e ao longo do dia o fornecimento seria restaurado na totalidade, de acordo com o jornal local El Universal.

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