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Cimeira junta líderes da China, Rússia e Irão

O Presidente iraniano, Hassan Rohani, participa hoje na China, num encontro com os homólogos chinês e russo numa tentativa de salvar o acordo nuclear, ameaçado recentemente pela retirada dos EUA, anunciou ontem em Pequim o ministro das Relações Exteriores do país anfitrião, Wajng Yi.

Presidente do Irão, Hassan Rohani, encontra-se hoje com homólogos da Rússia e China
Fotografia: DR

O encontro acontece à margem da cimeira de Chefes de Estado da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) que decorre desde ontem em Qingdao, a participação do Presidente russo, Vladimir Putin.
A Organização de Cooperação de Xangai (SCO) é uma organização regional inter-governamental que reúne oito países, incluindo as antigas Repúblicas soviéticas da Ásia Central, Rússia, China e Índia. O Irão tem estatuto de Estado observador.
O ministro chinês não disse se o acordo nuclear com o Irão estará na agenda do encontro, mas o que se sabe é que, tanto a União Europeia como a China e a Rússia querem que o Irão permaneça no acordo. No entanto, Teerão disse esperar acções concretas dos europeus para decidir se o acordo pode ser salvo.
O acordo concluído em Julho de 2015 entre o Irão e o grupo 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – EUA, Rússia, China, França e Reino Unido –, mais a Alemanha) visa, em troca de um levantamento progressivo das sanções internacionais, e assegurar que o Irão não desenvolva armas nucleares.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a 8 de Maio a retirada dos Estados Unidos do acordo de 2015 sobre o programa nuclear iraniano, destinado a impedir a República Islâmica de fabrica de armas nucleares, por considerá-lo demasiado brando.

Moscovo e Teerão
mantêm colaboração

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Riabkov, disse que a Rússia e o Irão vão manter uma “colaboração estreita” sobre o acordo nuclear, depois da decisão do Presidente norte-americano, acrescentando que ele e o seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, reuniram-se em Teerão e sublinharam o seu “empenho em salvar o acordo”.
O Presidente russo, Vladimir Putin, disse estar “profundamente preocupado” com a saída dos Estados Unidos do pacto. O seu porta-voz , Dmitri Peskov, acusou os Estados Unidos “proteccionismo velado” e de infringirem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) ao retirarem-se do acordo e prometerem restabelecer as sanções contra o Irão.
“Trata-se de proteccionismo dissimulado e de medidas que, naturalmente, são absolutamente contrárias às normas e regras da OMC. Isso vai exigir um trabalho muito intenso, incluindo no plano jurídico”, disse Peskov.
O acordo nuclear de 2015 permitiu o levantamento gradual das sanções económicas e financeiras internacionais em troca do compromisso de Teerão de limitar o seu programa nuclear a fins civis.

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