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Cinco mortos após realização de um comício da Frelimo

Pelo menos cinco simpatizantes da Frelimo morreram e dezenas ficaram feridos, quando seguiam num camião que resvalou domingo ao início da noite por uma encosta. Os passageiros vinham de um comício no centro de Moçambique.

Fotografia: DR

“Dados preliminares indicam que houve quatro óbitos, entre eles o de uma mulher, e 56 feridos, estando 15 em estado grave, que foram transferidos para o Hospital Provincial de Tete”, referiu já ontem à Lusa Fernando de Sousa, dirigente da Frelimo em Tete, durante uma conferência de imprensa.
Segundo fonte da unidade de saúde, duas pessoas morreram no local e outras três já no hospital, onde estão a ser assistidos 56 feridos, 15 em estado grave. O acidente ocorreu à saída da vila do Songo, junto à albufeira de Cahora Bassa, com um camião que transportava simpatizantes do partido na caixa de carga e que regressavam aos seus locais de origem.
O veículo de mercadorias despistou-se pouco depois de iniciar viagem, saiu da estrada, resvalando para uma encosta onde capotou, segundo um comunicado do Gabinete Provincial de Preparação de Eleições da Frelimo, na província de Tete. A Polícia moçambicana aponta falhas mecânicas como causa do acidente.
No dia 11 de Setembro, após um comício da Frelimo, em Nampula, dez pessoas morreram, quando uma multidão saiu de forma desordenada de um estádio de futebol onde decorria o evento.
A 15 de Outubro, 12,9 milhões de eleitores moçambicanos vão escolher o Presidente da República, dez assembleias provinciais e respetivos governadores, bem como 250 deputados da Assembleia da República.

Violência armada limita liberdade

A Missão de Observação Eleitoral da União Europeia (UE) às eleições gerais moçambicanas considerou que a violência armada nalgumas zonas do Centro e Norte do país coloca uma “incógnita” sobre a liberdade do escrutínio nessas regiões.
“Há aqui uma incógnita sobre como vão ser realizadas as eleições nestes distritos e nestas zonas onde tem havido ataques”, disse, sexta-feira, a chefe-adjunta da missão, Tânia Marques, em declarações à Lusa em Maputo. Os ataques armados “causam um receio que restringe a liberdade de circulação dos cidadãos e dos eleitores”, acrescentou.
Por isso, Tânia Marques explicou que a missão da UE vai esperar para ver qual será a resposta das autoridades e dos órgãos eleitorais, no sentido de garantir que o eleitorado das zonas afectadas exerça o direito de voto nas eleições gerais de 15 de Outubro.
Alguns distritos da província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique, são alvo de ataques de grupos armados desde há dois anos, havendo relatos de violência quase todas as semanas.
De acordo com números recolhidos pela Lusa, a onda de violência já terá provocado a morte de, pelo menos, cerca de 200 pessoas, entre residentes, supostos agressores e elementos das forças de segurança. Os ataques ocorrem na região onde se situam as obras para exploração de gás natural nos próximos anos.
O grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico tem anunciado desde Junho estar associado a alguns destes ataques, mas autoridades e analistas ouvidos pela Lusa têm considerado pouco credível que haja um envolvimento genuíno do grupo terrorista nos ataques, que vá além de algum contacto com movimentos no terreno. No Centro do país, transportes de passageiros e mercadorias têm sido atacados, desde Julho, por homens armados.
Um grupo de guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) daquela zona tem ameaçado usar as armas, desde Junho, por discordar do processo de desarmamento, mas não clarificaram se estão por detrás dos ataques.

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