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CNE confirma segunda volta das eleições para Dezembro

António Pimenta/ Bissau

Os primeiros resultados oficiais das eleições Presidenciais, levados a público, pela Comissão Nacional Eleitoral(CNE) da Guiné-Bissau, confirmam a segunda volta do pleito entre os candidatos Domingos Simões Pereira do PAIGC e Umaro Sissoco Embaló, do Madem-15 no dia 29 de Dezembro.

Os guineenses regressam às urnas no final de Dezembro para escolher o futuro Presidente
Fotografia: DR

Os resultados tornados públicos até ao final da tarde de ontem, davam vantagem a Domingos Simões Pereira 40.13 por cento dos votos escrutinados seguido de Umaro Sissoco Embaló com 27.65 por cento.

Os candidatos Nuno Gomes Nabian, o Presidente cessante José Mário Vaz e Carlos Gomes Junior, vêm a seguir com 13,16, 12,45 e 2,66 por cento dos votos escrutinados até à tarde de ontem.
As primeiras listas, não oficiais, que circularam na segunda-feira, confirmadas por fontes políticas e diplomáticas em Bissau, davam vitória a Domingos Simões Pereira, com 55,2 por cento dos votos, seguido de Umaro Embaló, com 21,2, Nuno Gomes Nabian, do APU-PDGB, com 9.7 e José Mário Vaz com 8.7 por cento.
Contra todas as expectativas que se criaram à sua volta, Carlos Gomes Júnior aparece numa derradeira quinta posição.
Mais abaixo, encontram-se os candidatos Mutaro Intai Djabi, com 0.3 e outros tantos com 0.2 por cento dos votos.
De acordo com a CNE, os dados avançados podem sofrer ligeiras alterações até ao fim da contagem dos votos, mas não em números suficientes para garantir uma vitória na primeira volta para qualquer um dos concorrentes.
Até ao final da contagem, a CNE admite que Domingos Simões Pereira pode conseguir um aumento de 215 mil dos votos que estão para ser contabilizados, enquanto que Umaro Sissoco tem previsto um aumento de 130 mil.
Para o porta-voz da campanha do PAIGC, Óscar Barbosa (Cancan), existem ainda muitos votos por se contabilizar na região de Oio, a segunda maior praça de votos depois de Bissau e que “até lá muita coisa pode acontecer”.
Umaro Embaló afirmou, recentemente, que não havia, na Guiné-Bissau, condições para uma vitória para nenhum dos candidatos na primeira volta. Mesmo ainda por se confirmar a segunda volta, o PAIGC endereçou já cartas há alguns líderes de partidos políticos a solicitar alianças para a campanha.
O voto étnico e religioso terá ditado, de acordo com fontes do PAIGC, os resultados a desfavor do partido no poder.
De acordo com o porta-voz do PAIGC, este partido voltou a perder votos em Gabu, Bafata e Cacheu, onde o Presidente cessante, José Mario Vaz, derrotou Domingos Simões Pereira.
Fontes do Governo guineense mostraram-se preocupadas com a crescente tribalização e tendências religiosas que estão a crescer de forma preocupante na Guiné-Bissau, o que na opinião desses terá impedido uma vitória do candidato do PAIGC na primeira volta.
As fontes do Jornal de Angola, que falaram na condição de anonimato, acusaram algumas forças políticas de instigarem ódios tribais e religiosos contra Domingos Simões Pereira, acusando-o de estar contra os muçulmanos na Guiné-Bissau.
Alguns políticos na Guiné-Bissau, sustentam as nossas fontes, estão a espalhar o boato de que, se ganhar as eleições, Domingos Simões Pereira vai correr com todos os muçulmanos do país.
Apesar da grande diferença de votos que os separam, alguns políticos em Bissau não acreditam que venha a ser fácil a missão do candidato do partido no poder para chegar ao pódio.
É quase tido como certo que quatro dos cinco principais candidatos venham a apoiar Umaro Embaló na segunda volta. E em alguns círculos teriam assinado um acordo que estabelece o apoio dos derrotados para quem passar para a segunda volta.
Isso para dizer que na eventualidade de uma segunda volta, Domingos Simões Pereira não poderá contar com o Presidente cessante, José Mário Vaz.
Por gostar de estar sempre no meio do muro, ninguém sabe precisamente qual vai ser a posição de Nuno Nabian. Mas sabe-se já que o PAIGC endereçou uma carta a solicitar-lhe apoio na segunda volta. Na mesma perspectiva, outras cartas do PAIGC foram enviadas a outros partidos mais pequenos.
As cartas foram direccionadas a Nuno Nabian e algumas formações políticas que, nas eleições legislativas, fizeram o pacto de estabilidade que garantiu o passe para a governação para o PAIGC.
Nuno Nabian foi o primeiro dos concorrentes a aceitar os resultados da primeira volta. Na sua declaração, Nuno Nabian aceita os resultados e felicita os guineenses e a comunidade pelo apoio prestado para o êxito do processo.

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