Mundo

Conferência de Berlim decide o fim da interferência externa

Os dirigentes dos principais países afectados pelo conflito na Líbia comprometeram-se a respeitar um embargo de armas decidido pelas Nações Unidas em 2011, anunciou a chanceler alemã, Angela Merkel, após uma conferência internacional que terminou domingo à noite em Berlim.

Líderes europeus e africanos debateram, em Belim, a situação do conflito armado na Líbia
Fotografia: DR

“Concordámos que queremos respeitar o embargo de armas e que este embargo será controlado de forma mais rigorosa do que antes”, declarou Angela Merkel, citada pela BBC, no final da conferência sobre o conflito líbio.
Presente na reunião, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, sublinhou que as potências estrangeiras comprometeram-se a renunciar a uma interferência no conflito líbio.
“Todos os participantes comprometeram-se a renunciar a interferências no conflito armado ou em questões internas da Líbia”, indicou Guterres, apesar de a Turquia apoiar militarmente o Governo de Fayez al-Sarraj, em Tripoli, e de a Rússia, apesar de negar, ser suspeita de apoiar o marechal Khalifa Haftar, líder do Exército Nacional Líbio (ENL).
Os participantes na conferência realizada sob a égide da ONU em Berlim, congregando 11 países, incluindo a Rússia e a Turquia, concordaram que não há “uma solução militar” para este conflito, que atinge o país há 10 anos, declarou a chanceler alemã, Angela Merkel, no final.
Para assegurar que há um respeito efectivo e duradouro pelo fim das hostilidades, vão ser organizados, em breve, encontros entre representantes militares líbios dos dois campos. Um convite será feito nos próximos dias, afirmou o Secretário-Geral da ONU, António Guterres.
Para a consolidação do cessar-fogo, o emissário da ONU apelou às duas partes rivais para formarem uma “comissão militar” composta por dez oficiais, cinco de cada lado. Esta comissão terá por missão definir no terreno os mecanismos de aplicação do cessar-fogo.
Os participantes também chegaram a acordo para “respeitar” o embargo de armas e quanto a um controlo mais rigoroso do mesmo, disse Merkel, numa conferência de imprensa conjunta com Guterres e com o emissário da ONU na Líbia, Ghassan Salamé. O embargo foi decretado em 2011 pela ONU, mas nunca foi seriamente respeitado.
“Temos assistido a uma escalada no conflito, tendo este atingido nos últimos dias uma dimensão perigosa”, declarou Guterres, que apontou “o risco de uma verdadeira escalada regional”.

Bloqueio aos terminais petrolíferos
As forças leais ao marechal Khalifa Haftar, um dos protagonistas do conflito, bloquearam, sábado, os principais terminais petrolíferos situados no Leste do país, indicou a Companhia Nacional de Petróleo, o que foi entendido como uma forma de pressionar o desfecho da conferência internacional que decorreu em Berlim.
Em comunicado, a companhia anunciou uma paragem nas exportações nos portos de Brega, Ras Lanouf, al-Sedra e al-Hariga. A petrolífera estima que este bloqueio vai paralisar a produção petrolífera do país durante alguns dias e provocar uma queda na produção de 1,3 milhões de barris para 500 mil barris por dia com perdas diárias de 55 milhões de dólares.
Um grupo próximo de Haftar pediu, recentemente, que fossem bloqueadas as exportações petrolíferas do país para protestar contra a intervenção turca no conflito, suscitando a inquietação da Companhia Nacional de Petróleo.

Tempo

Multimédia