Mundo

Conflitos afectam mais as meninas

As meninas refugiadas têm menos probabilidades de frequentar o ensino secundário do que os meninos, apesar de constituírem metade da população em idade escolar, revelou ontem a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Meninas têm menos possibilidades de realizar os sonhos
Fotografia: Plano International

Em comunicado, a agência destacou que, para os refugiados menores, “as portas da escola são mais difíceis de abrir” do que para o resto das crianças e “mais ainda para as meninas refugiadas".
À medida que crescem, as raparigas refugiadas enfrentam níveis mais altos de marginalização, pelo que, no ensino secundário, a diferença de género é muito maior, concluiu o relatório.
De acordo com a agência, 61 por cento das crianças refugiadas têm acesso ao ensino primário, em comparação com a média internacional de 91 por cento, enquanto apenas 23 por cento das crianças refugiadas têm acesso ao ensino secundário, em comparação com 84 por cento no total.
“A comunidade internacional deve reconhecer a injustiça de negar educação às meninas e mulheres refugiadas”, afirmou o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi.
O documento revela que as convenções sociais e culturais muitas vezes dão prioridade aos meninos para frequentar a escola antes das meninas. Nesse sentido, a deficiência de instalações sanitárias adequadas e de produtos de higiene pessoal podem bloquear o acesso das raparigas refugiadas às escolas, além do custo dos livros, dos uniformes e a viagem à escola que podem ser proibitivos para famílias de refugiados. “Encontrar soluções para os desafios enfrentados pelas meninas refugiadas exige acção em todas as áreas, do Ministério da Educação nacional, instituições de formação de professores, mas também nas comunidades e nas salas de aula”, disse Filippo Grandi.
“Devemos superar barreiras imensas e pedir um esforço internacional para mudar de rumo”, acrescentou o alto-comissário.
De acordo com o relatório do ACNUR, as meninas têm mais possibilidade de ir à escola se os seus pais puderem trabalhar para sustentar as famílias.
O estudo também argumenta que nenhuma rapariga deve perder aulas porque o caminho para a escola é longo ou perigoso e deve estar protegida contra assédio, abuso sexual e sequestro.
O ACNUR também enfatizou que a educação das raparigas refugiadas protege-as da vulnerabilidade, da violência sexual, das gravidezes prematuras e do casamento enquanto são menores, ao mesmo tempo que as capacita à medida que adquirem habilidades de liderança e auto-estima.

Tempo

Multimédia