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Confrontos com Boko Haram provocam mais de 50 mortos

Victor Carvalho

No seguimento daquilo que foi o anunciado reforço da sua capacidade combativa para confrontar o Boko Haram, as forças de segurança do Chade têm vindo a somar uma série de sucessos na luta contra o terrorismo, evitando dessa forma que o país continue a ser uma “retaguarda segura” que o grupo tinha vindo a utilizar para desestabilizar toda a região.

Forças de defesa e segurança continuam a somar sucessos na luta contra o extremismo
Fotografia: DR

Há dois dias, pelo menos 48 islamitas e oito soldados do Chade morreram na região do Lago Chade em confrontos directos com “jihadistas” do Boko Haram, segundo anunciou o porta-voz do Exército.
De acordo com a imprensa local, “os terroristas do Boko Haram atacaram a posição das forças de defesa na localidade de Kaiga Kindji sendo vigorosamente repelidos”.
Na sequência desse ataque, segundo a mesma fonte, registaram-se oito mortos e onze feridos entre os soldados do Chade e 48 vítimas mortais do lado dos atacantes.
Embora o Chade seja menos afectado pelo terrorismo do que a vizinha Nigéria, a verdade é que se estava a registar recentemente um aumento na violência do grupo extremista Boko Haram naquele país.
No início de Outubro, os terroristas já tinham lançado um ataque de morteiro contra um campo militar em Litri, localizado a quatro quilómetros da fronteira com a Nigéria, perto da região do Lago Chade, que provocou a morte de um soldado do Chade.
Em finais de Setembro, seis pessoas, entre as quais dois militares, morreram num ataque desencadeado nas margens do Lago Chade pelo Boko Haram, que na acção perdeu 17 “jihadistas”.
Para reforçar a sua capacidade de resposta, o Exército do Chade criou recentemente uma Força Multinacional Mis-ta (FMM), que congrega forças provenientes de diversos países da sub-região e comités de vigilância, para repelir e perseguir os elementos do Boko Haram, que começaram o seu avanço dentro do país em 2015.
Criado na Nigéria, o Boko Haram actua em todos os paí-
ses da zona do Lago Chade (Nigéria, Chade, Camarões e Níger), onde desfere ataques contra a Polícia e efectua se-questros junto da população e da comunidade estudantil feminina.

Chefe rebelde reenviado para a Justiça
Nesta sua nova postura para garantir a segurança no país, as autoridades do Chade estão também a actuar junto da Justiça para que sejam devidamente punidos os responsáveis locais pelas situações de instabilidade.
Nesse sentido, o antigo chefe rebelde Abdel Kader Baba Laddé foi agora reenviado para o tribunal crimi-nal pelo juiz de flagrantes delitos, segundo revelam as agências internacionais citando fontes judiciais.
Preso na República Centro-Africana (RCA), em Dezembro de 2014, Baba Laddé compareceu a 20 de Setembro perante um juiz de um tribunal chadiano onde respondeu por posse ilegal de armas de fogo, formação de quadrilha, rebelião, incêndio de aldeias, violação e por colocar em perigo a vida dos seus compatriotas.
Antigo oficial da Gendarmeria Nacional chadiana, Abdel Kader Baba Laddé, entrou em rebelião em Darfur em 1998 e chegou à RCA em 2008.
Depois de regressar ao Chade em 2013, após um acordo de paz, foi nomeado assessor do primeiro-ministro, cargo que ocupou até pouco antes de voltar para a RCA, tendo regressado pela segunda vez ao país em 2014, sendo então nomeado prefeito do Departamento de Grande Sido, em Moyen-Chari.
Demitido das suas funções, decidiu fugir para o norte da RCA, onde em Dezembro de 2014 foi detido por capacetes azuis e entregue às autoridades de Bangui, que decidiram extraditá-lo para N\'Djamena com base num acordo de cooperação judicial entre os dois países.
Está detido há quase quatro anos na prisão de alta segurança de Koro Toro, no extremo norte do Chade, onde aguarda por um julgamento pelos crimes de que vem sendo acusado e que poderão servir de exemplo para outros que também

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