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Côte D’Ivoire: Sectores do caju e do algodão com perdas de 455 milhões

Os sectores do caju e do algodão da Côte D’Ivoire vão sofrer perdas de 455 milhões de euros nas exportações devido à pandemia da Covid-19, anunciou ontem o Conselho do Caju e do Algodão da Côte d,Ivoire (CCA).

O Governo da Côte D’Ivoire anunciou, em Abril, cerca de 380 milhões de euros, para apoiar as principais culturas agrícolas de exportação face às consequências económicas da Covid-19
Fotografia: DR

A Côte D’Ivoire é o maior produtor mundial de castanha de caju e o terceiro maior produtor africano de algodão. “No mercado internacional, as ofertas à Côte D’Ivoire foram de 1.400 dólares (1.280 euros) por tonelada de castanha de caju”, disse à agência AFP o director da CCA, Adama Coulibaly.
“Os mesmos contratos negociados caíram, no início da pandemia, para 900 dólares (823 euros), uma diferença de 500 dólares (457 euros), em 600 mil toneladas de produtos a exportar para o Vietname e a Índia", disse Adama Coulibaly, acusando uma perda de mais de 300 milhões de dólares (274,3 milhões de euros).
A produção de algodão absorvido pelas indústrias têxteis na Ásia (Bangladesh, China, Tailândia) sofreu o mesmo impacto. Negociado em 1.007 FCFA/kg (1,52 euros), o preço caiu para 600 FCFA/kg (0,91 euros) para uma produção de 170.000 toneladas a exportar, o que representa uma perda de 172 milhões de dólares (157,2 milhões de euros).
“O novo coronavírus teve impacto em termos financeiros nas nossas activida-des na Ásia, o nosso principal mercado. Fomos confrontados com a falta de clientes, contratos e falta de financiamento para os compradores”, disse o diretor da CCA, que gere os dois sectores. A campanha de 2018/2019 terminou com uma produção de 634 mil toneladas de castanha de caju, contra as 761 mil toneladas anteriores, o que representa uma quebra de 17 por cento.
A Côte D’Ivoire tinha esperado uma produção de 800 mil toneladas em 2019-2020, mas não se prevê que este objectivo seja atingido.
“Já não temos a certeza de atingir as 800 mil toneladas em 2020, devido à falta de chuva no norte do país, a principal zona de produção”, embora a campanha tivesse começado bem, com todos os indicadores no verde, de acordo com a CCA.
O sector da castanha de caju da Côte D’Ivoire tem 250 mil produtores agrupados em cerca de 20 cooperativas e emprega, directa e indirectamente, dois milhões de pessoas. A produção de algodão da Costa do Marfim em 2019-2020 deverá aumentar em relação à colheita anterior de 458 mil toneladas, o que coloca o país em terceiro lu-gar em África. O Governo da Côte D’Ivoire anunciou em Abril um pacote de 250 mil milhões de francos CFA (380 milhões de euros) para apoiar as principais culturas agrícolas de exportação, incluindo cacau e castanha de caju, face às consequências económicas da epidemia de Covid-19. As culturas em si não são directamente afectadas pela pandemia, mas é provável que as exportações diminuam devido à recessão económica mundial.

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