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Covid-19: Bruxelas defende cessar-fogo na Síria

A União Europeia (UE), após as Nações Unidas, também pediu um cessar-fogo na Síria com o objectivo de combater a pandemia do Covid-19, causada pelo novo coronavírus, que poderá afectar milhares de deslocados.

O conflito armado na Síria já dura mais de dez anos e causou milhares de mortes
Fotografia: DR

"O cessar-fogo recentemente decidido em Idlib permanece frágil. Este deve ser mantido e estendido a toda a Síria", disse um porta-voz da Comissão Europeia num comunicado. "Cessar as hostilidades no país é importante por si só, mas também é uma condição prévia para conter a disseminação do novo coronavírus e proteger uma população já afectada de consequências potencialmente desastrosas, particularmente em Idlib, onde há um número significativo de refugiados", continuou referiu o porta-voz.
O enviado da ONU para a Síria, Geir Pedersen, já havia pedido um cessar-fogo, na terça-feira, e os investigadores reiteraram o mesmo pedido no sábado.
A União Europeia, como as Nações Unidas já haviam feito, também, pedido a libertação em larga escala de pessoas detidas pelo Governo.
Estes deslocados vivem com acesso limitado a cuidados de saúde ou água potável, numa área onde dezenas de hospitais foram retirados de serviço por bombardeamentos e combates.
Alvo de uma nova ofensiva mortal de Damasco desde Dezembro, a região de Idlib, o último grande bastião jihadista e rebelde na Síria, beneficiou-se de uma ligeira acalmia desde o início de Março, graças a um acordo de trégua.
O Papa Francisco uniu-se, ontem, ao apelo da ONU para decretar um cessar-fogo global que permita enfrentar a pandemia do Covid-19 e instou a criação de corredores de ajuda humanitária durante a oração do Angelus.
"Uno-me a todos os que aceitaram esse chamado e convido todos a segui-lo, interrompendo qualquer forma de hostilidade bélica, favorecendo a criação de corredores para ajuda humanitária, abrindo a diplomacia e a atenção àqueles que estão em situação de maior vulnerabilidade", disse o Papa Francisco.
"Os conflitos não são resolvidos através da guerra! É necessário superar antagonismos e contrastes, através do diálogo e de uma busca construtiva pela paz", acrescentou o Santo Padre.
A pandemia ameaça particularmente os 6,5 milhões de sírios deslocados no país, incluindo mais de um milhão de civis, principalmente mulheres e crianças, que estão amontoados em campos ao longo da fronteira turca na província de Idlib.
Até ao momento, a Síria registou cinco casos de contaminação pelo novo coronavírus e pode infectar mais pessoas.

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