Mundo

Covid-19: Moçambique lança inquérito sero-epidemiológico em Tete

O objectivo é “tentar verificar as faixas etárias mais afectadas”, disse Jaime Mário, coordenador do Núcleo Provincial de Pesquisas em Tete, citado pela Agência de Informação de Moçambique.

O Ministério da Saúde (Misau) moçambicano lançou ontem, um inquérito sero-epidemiológico na província de Tete, centro de Moçambique, um processo orçado em 42 mil euros
Fotografia: DR

O inquérito visa ainda colher dados epidemiológicos sobre a exposição da Covid-19 para identificar as áreas de maior transmissão e também de grupos de profissionais mais afectados, acrescentou. Com o custo de 42 mil euros, o inquérito vai abranger todos os bairros residenciais de Tete. “Serão abrangidos grupos específicos, como os profissionais de saúde, trabalhadores do Aeroporto, coveiros, transportadores, entre outros”, referiu.

A escolha da cidade de Tete é baseada numa das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), tendo em conta que a província está "exposta a propagação" devido a mo- bilidade populacional nas fronteiras com o Malawi, Zâmbia e Zimbabwe.

"Estão garantidos os recursos humanos, materiais, financeiros e técnicos, estamos a falar de profissionais de saúde qualificados para fazer a colheita de sangue para a testagem de Covid-19", acrescentou Jaime Mário. Moçambique registou 23 óbitos, 3.821 casos e 2.100 pessoas recuperadas da Covid-19, segundo os dados oficiais.

A pandemia de Covid-19 já provocou pelo menos 847.071 mortos e infectou mais de 25,2 milhões de pessoas em 215 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Taxa de duplicação mais rápida

A taxa de duplicação mais rápida de casos da Covid-19 no mundo, no mês de Junho, abrangia 50 países, 23 dos quais localizados em África - oito na África Austral, incluindo Moçambique, segundo dados divulgados pelo Instituto Na- cional de Saúde desse país. "Moçambique regista uma epidemia com focos de transmissão com um tempo de duplicação de casos de 15 dias, que é duas vezes a velocidade da média global.

A média mundial é de 33 dias", revelou na altura o director do Instituto Nacional de Saúde, Ilesh Jani. "Quanto menor for o tempo de duplicação do número de casos significa que a epidemia está a evoluir com maior velocidade", explicou ainda Jani. Estavam também nesta situação quatro países que fazem fronteira com Moçambique, nomeadamente o Malawi, com uma taxa de duplicação de dois dias, o Zimbabwe, com três, a África do Sul, com 13, e a Zâmbia, com 16.

Angola não estava abrangida, registando uma taxa de duplicação de 22 dias. Em Maio, Moçambique registou duas vezes e meia mais casos positivos quando comparado com o mês de Abril. Segundo Ilesh Jani, têm sido encontrados focos de transmissão bem definidos em alguns bairros de algumas cidades, e, portanto, “a abordagem que tem sido feita é a identificação dos focos de transmissão, mapeamento de todos os contactos, a colocação de todos estes contactos em quarentena e de testagem dos contactos.”

Tempo

Multimédia