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Covid-19: OMS alerta para aceleração do ritmo de contágio em África

O ritmo de contágio do novo coronavírus “está a aumentar” em África, apesar do número pouco expressivo de casos naquele continente, o que obriga a manter uma “vigilância constante”, disse hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Directora regional da OMS em África, Matshidiso Moeti
Fotografia: DR

“Por agora, África regista apenas uma pequena fracção de casos em todo o mundo. Mas o ritmo de contágio está a aumentar”, realçou a directora regional para o continente africano da OMS, Matshidiso Moeti, em comunicado. Para o responsável, “a acção rápida e atempada dos países africanos permitiu manter um número baixo de casos” de Covid-19. Matshidiso Moeti alertou, no entanto, que é necessário manter uma “vigilância constante” para travar a pandemia e evitar “sobrecarregar os sistemas de saúde”.

O diretor regional da OMS sublinhou ainda que as medidas tomadas para a população se manter em casa e o encerramento de comércios resultaram em “enormes custos” particularmente nas comunidades mais vulneráveis e marginalizadas. “É fundamental nesta resposta atingir um equilíbrio entre salvar vidas e proteger os meios de subsistência, particularmente em África”, destacou. O comunicado da OMS refere que nas últimas semanas os países têm levantado restrições ao confinamento imposto de forma a retomar atividades económicas e sociais.

O alívio destas medidas deve ser um processo controlado e precisa de ter assegurado uma capacidade de testagem alargada, acrescenta. “Estes passos precisam de ser constantemente adaptados de acordo com a evolução dos dados e mantidas até que a pandemia esteja contida ou a vacina ou tratamento à Covid-19 esteja acessível a todos”, destaca ainda.

A OMS lembra também que, conforme os países aliviam as restrições, as autoridades de saúde vão precisar de assegurar continuadamente serviços de saúde essenciais, enquanto retomam ao mesmo tempo as rotinas habituais nos vários serviços de saúde. A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 416 mil mortos e infectou mais de 7,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

Em África, há 5.678 mortos confirmados e mais de 209 mil infectados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente. Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.389 casos e 12 mortos), seguida da Guiné Equatorial (1.306 casos e 12 mortos), Cabo Verde (616 casos e cinco mortes), São Tomé e Príncipe (632 casos e 12 mortos), Moçambique (472 casos e dois mortos) e Angola (113 infetados e quatro mortos).

O Brasil é o país lusófono mais afectado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, ao contabilizar o segundo número de infetados (mais de 772 mil, atrás dos Estados Unidos) e o terceiro de mortos (39.680, depois de Estados Unidos e Reino Unido).

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