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Covid-19: Presidente Jair Bolsonaro afirma ser a “prova viva” da eficácia da cloroquina

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou ser a “prova viva” da eficácia da cloroquina contra a Covid-19, fármaco sem comprovação científica na cura da doença, e que disse ter tomado quando esteve infectado.

Fotografia: DR

“Sabemos que mais de 100 mil pessoas morreram no Brasil. Caso tivessem sido tratadas desde o início com esse medicamento, muitas mortes poderiam ter sido evitadas. Aqueles que criticaram a cloroquina não apresentaram alternativas”, declarou Jair Bolsonaro, num evento público, quinta-feira, realizado em Belém, capital do estado do Pará.

Bolsonaro, um dos Chefes de Estado mais cépticos em relação à gravidade da pandemia, disse ter contraído o novo coronavírus em Julho e que recuperou graças à cloroquina, um fármaco usado no tratamento de doenças como a malária, mas cuja eficácia contra a Covid-19 é colocada em dúvida pela maioria da comunidade científica internacional.

Também contraíram o vírus, e já recuperaram, nove ministros do actual Executivo brasileiro, assim como a própria mulher do Presidente, Michelle Bolsonaro, que permanece em confinamento e que, na quarta-feira, soube da morte de sua avó materna, de 81 anos, vítima da Covid-19. No evento em Belém, Jair Bolsonaro anunciou que o Governo federal vai enviar 400 mil comprimidos de cloroquina às autoridades estaduais do Pará, porque, mesmo “sem comprovação científica, há muitos médicos que recomendam”.

O estado do Pará, localizado na Amazónia brasileira, tem cerca de oito milhões de habitantes e, segundo os últimos balanços oficiais, registou até ao momento 173.625 casos do novo coronavírus e um total de 5.917 mortes.

Soro como cura

Investigadores brasileiros anunciaram a patente de um estudo com plasma de cavalo que produziu anticorpos até 50 vezes mais potentes contra a Covid-19 do que os humanos infectados pela mesma doença. “Depois de 70 dias, os plasmas de quatro dos cinco cavalos do Instituto Vital Brasil, no Rio de Janeiro, inoculados em Maio de 2020 com a proteína S recombinante do coronavírus, apresentaram anticorpos neutralizantes 20 a 50 vezes mais potentes contra o novo vírus do que os plasmas de pessoas que tiveram a doença”, informou o Instituto Vital Brasil, instituição científica ligada ao Governo do Rio de Janeiro.

A proteína S é usada pelo Sars-CoV-2, causador da pandemia de Covid-19, para invadir as células humanas e se multiplicar. Após os resultados, os investigadores brasileiros criaram um soro anti-Sars-CoV-2, produzido a partir de cavalos imunizados, que ainda precisará de ser testado em humanos nas fases subsequentes da pesquisa.

“O experimento com o plasma dos cavalos permite que o tratamento seja produzido em grande escala. Os animais não sofrem com o processo de retirada de plasma e, conseguimos, assim, uma grande quantidade de medicamento disponível”, explicou Adilson Stolet, presidente do Instituto Vital Brasil. 

Os pesquisadores envolvidos também destacaram que “enquanto não há vacinas aprovadas e, mesmo posteriormente, em virtude da dificuldade em atender à grande demanda de vacinação em todo o mundo, o uso potencial da imunização passiva por terapia com soro deve ser considerado como uma opção”.

A soroterapia é um tratamento bem sucedido, usado há décadas no Brasil contra doenças como raiva, tétano e picadas de abelhas, cobras, aranhas, escorpiões e outros animais. A investigação para a produção deste soro a partir de anticorpos produzidos por cavalos está a ser realizada pelo Instituto Vital Brasil, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O Brasil é o país lusófono mais afectado pela pandemia e um dos mais atingidos no mundo, com mais de 104.200 óbitos e de 3.1604.780 casos confirmados desde o início da pandemia.

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