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Cyril Ramaphosa reconhece Falhas no combate à corrupção

Victor Carvalho

O Presidente sul-africano não teve dúvidas, nem problemas, em admitir que o seu Governo falha na aplicação de medidas previstas pela lei, para combater mais eficazmente o fenómeno da corrupção no país.

Presidente sul-africano diz estar determinado a construir um país sem corrupção
Fotografia: DR

Falando num encontro com a comunidade muçulmana, realizado para assinalar a quebra de jejum do Ramadão, Cyril Ramaphosa lamentou que as instituições ainda não estejam preparadas para usar os mecanismos previstos na lei, de modo a punir exemplarmente as pessoas apanhadas nas malhas da corrupção.
Na ocasião, o Presidente sul-africano admitiu que os próprios tribunais têm de encontrar mecanismos mais ágeis de funcionamento, de modo a que os casos de corrupção que estão nos tribunais sejam julgados com mais celeridade.
“Tanto no sector público como no privado, existem casos de corrupção com os quais temos tido dificuldades em lidar”, disse na ocasião Cyril Ramaphosa, que estava acompanhado do ministro do Ensino Superior, Naledi Pandor, e do deputado do ANC, Mandla Mandela. O Presidente sul-africano, por diversas vezes, pediu desculpas à população pelo facto do Governo  negligenciar alguns casos de corrupção denunciados pela imprensa, mas assegura que está determinado em inverter a situação.
“Estou resoluto, na missão de retirar total vantagem do renovado espírito do povo sul-africano, em construir um país onde a corrupção não prevaleça”, sublinhou.
Ramaphosa disse, na ocasião, que apesar de pouco significativa em termos quantitativos, a comunidade muçulmana na África do Sul tem sido “determinante para impulsionar a economia nacional, gerar investimento e postos de trabalho.
O encontro de Cyril Ramaphosa com a comunidade muçulmana decorreu na Cidade do Cabo, precisamente onde nas últimas semanas se realizaram algumas manifestações de protesto contra o aumento da ocupação ilegal de propriedades.Os manifestantes exigem que as autoridades combatam a onda de ocupações ilegais de algumas propriedades localizadas nos arredores da cidade e que afectam, sobretudo, a população mais idosa. A falta de policiamento aumenta a sensação de insegurança que levou a população a manifestar-se, contra o facto de muitas das propriedades que são agora invadidas, estão ocupadas pelas mesmas pessoas há mais de 30 anos.

Apelo à moral
Entretanto, enquanto Cyril Ramalhosa reunia com a comunidade muçulmana, um grupo de adolescentes integrado num conjunto coral actuou apenas com uma minúscula peça de roupa num espectáculo escolar, que deixou indignado os próprios encarregados de educação .
A ministra da Educação, Angie Motshekga, disse te ficado “extremamente desiludida” com o sistema de educação, depois de ver as imagens da actuação, onde as jovens pertencentes ao grupo étnico Xhosa, dançavam vestidas apenas de um minúsculo avental tradicional da tribo, conhecido como “inkciyo”.
Apesar do traje ser tradicional, a actuação das jovens na Universidade Walter Sisulu causou choque, depois de ser divulgada nas redes sociais.
“É completamente inadequado, os educadores exporem as adolescentes desta forma. Não há, absolutamente nada de errado em ter orgulho da nossa cultura ou herança, mas não havia necessidade nenhuma de estas jovens serem apresentadas quase nuas. Isto, é completamente contra os valores da nossa cultura”, disse a ministra em comunicado.
O professor, que coordenou o espectáculo,  disse estar orgulhoso da prestação das alunas. “Somos pessoas orgulhosas das nossas tradições. Temos orgulho das mulheres e das meninas xhosas”, disse o educador, que preferiu não ser identificado.  Os xhosas são o segundo maior grupo étnico da África do Sul.

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