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Decretado luto nacional em Portugal

Morreu hoje, no Porto, vítima de doença, a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís, de 96 anos, considerada um dos maiores vultos da História da Literatura Portuguesa.

Morreu hoje a escritora Agustina Bessa-Luís
Fotografia: DR

Por esta razão, o Governo decretou luto nacional, amanhã (terça-feira), por indicação do primeiro-ministro António Costa, em memória da escritora Agustina Bessa-Luís. O primeiro-ministro considerou que Portugal perdeu hoje uma das suas mais notáveis escritoras contemporâneas, salientando que a obra de Agustina Bessa-Luís constitui "uma imensa tela sobre a condição humana".

Foi autora de mais de meia centena de obras, entre romances, contos, peça de teatro, biografias, crónicas de viagem, ensaios, livros infantis e guiões para televisão. A sua obra foi traduzida para alemão, castelhano, dinamarquês, francês, grego, italiano e romeno.

Agustina Bessa-Luís nasceu em 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante, e encontrava-se afastada da vida pública, por razões de saúde, há cerca de duas décadas.

Segundo relatos na imprensa portuguesa, a autora, "irreverente na literatura e na vida", encontrou o marido num anúncio de jornal.

Vários são os cognomes atribuídos à escritora: “Uma extraterrestre, a maior da Língua Portuguesa”: Agustina, por Gonçalo M. Tavares, citado pelo jornal "Expresso".

Acrescenta que morreu uma escritora extraordinária. "Para mim, a maior escritora de sempre da Língua Portuguesa. Está acima de Clarice Lispector, que também considero uma escritora absolutamente incrível. Clarice Lispector e Agustina Bessa-Luís entram num mundo diferente, mas Agustina consegue entrar na literatura de uma outra forma e com uma intensidade extraordinária", afirma Gonçalo M. Tavares.

O nome de Agustina Bessa-Luís destacou-se em 1954, com a publicação do romance "A Sibila", que lhe valeu os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, que constam de uma lista de galardões que inclui igualmente o Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra "Os Meninos de Ouro", e que voltou a receber em 2001, com "O Princípio da Incerteza I - Jóia de Família". Foi distinguida pela totalidade da sua obra com o Prémio Adelaide Ristori, do Centro Cultural Italiano de Roma, em 1975, e com o Prémio Eduardo Lourenço, em 2015.

Sobre Agustina, o ensaísta Eduardo Lourenço, em declarações à Lusa, no final da cerimónia da entrega do Prémio Eduardo Lourenço à autora, há pouco mais de três anos, disse que é "incomparável", é a "grande senhora das letras portuguesas".

Agustina recebeu ainda os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004.

Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, e o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras, de França, em 1989, tendo recebido a Medalha de Honra da Cidade do Porto, em 1988.

A cerimónia fúnebre da escritora Agustina Bessa-Luís acontece amanhã, na Sé Catedral do Porto, seguindo depois para o cemitério do Peso da Régua, Vila Real, revelou hoje o Círculo Literário Agustina Bessa-Luís.



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