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Desencorajar à corrida ao armamento nuclear

Altino Matos |

O Secretário-Geral da ONU deve ter como principal missão, este ano, desenhar uma estratégia de persuasão junto dos líderes mundiais como os Presidentes da Rússia, Vladimir Putin,  e dos Estados Unidos, Donald Trump, para se desencorajar a corrida armamentista que, como se assistiu, leva ao aumento das armas nucleares.

Membros das Nações Unidas terão de provar a sua responsabilidade pelos acordos de “paz”
Fotografia: Spencer Platt-Getty | AFP

António Guterres, em várias ocasiões, condenou os posicionamentos dos líderes a favor de mais armas de destruição em massa, por ameaçar a existência da humanidade. A situação na Península coreana é o melhor exemplo de como as coisas podem fugir do controlo e perder-se o amanhã de prosperidade...
As Nações Unidas devem aproveitar o ano que está quase a começar para corrigir as suas actuações e recuperar a sua reputação junto da comunidade internacional, que tem feito o maior esforço para continuar a acreditar nas suas acções. O Conselho de Segurança tem de desenhar um perfil para as armas nucleares, a partir de países com este tipo de arsenal. Estamos a falar da Índia, Paquistão, Inglaterra, França, Estados Unidos, China, Rússia. E, agora, a Coreia do Norte, como o membro mais recente.      
A humanidade, perante esse quadro, nunca esteve tão ameaçada, principalmente porque o risco de as coisas escaparem ao controlo está a aumentar. Vários especialistas já começaram a fazer contas quanto aos possíveis riscos para ter lugar a Terceira Guerra Mundial.
O analista norte-americano Daniel Ellsberg, expressa no seu livro “Máquina do Juízo Final: Confissão de um Estrategista Nuclear”, publicado pela San Francisco Chronicle, que a Terceira Guerra “nuclear” pode ser provocada por qualquer mensagem falsa dos media, falha electrónica ou ordem errada.
De acordo com Ellsberg, uma notícia falsa sobre um atentado em Washington ou em Moscovo seria suficiente para desencadear um confronto nuclear. Acrescenta que as potências militares mundiais possuem um potencial muito maior do que o necessário para defesa. Ellsberg está convencido de que em poucos dias um conflito militar de grande escala levará à destruição da humanidade. Ele também se assusta com a atitude dos EUA com as armas de destruição em massa (ADM).
“Somos o único país do mundo que acredita que venceu a guerra graças às ADM, bombas atómicas e incendiárias. Somos os únicos que acreditamos que tudo isso foi justificado. Tal atitude em relação às armas é muito perigosa”, afirma o analista norte-americano. 
Além disso, Ellsberg publicou várias recomendações para não permitir a Terceira Guerra Nuclear: EUA não devem desencadear a guerra e serem os primeiros a utilizar as armas nucleares, bem como devem eliminar o componente terrestre daquilo que designa por tríade nuclear. Nesta perspectiva, segundo dados divulgados pela imprensa ocidental, os militares russos planeiam expandir e modernizar o seu arsenal de armas nucleares tácticas e o desenvolvimento da situação mostra que o país se prepara para uma guerra nuclear.
The Washington Free Beacon, que cita fontes anónimas de Washington, afirma que o aumento do número de ogivas nucleares de 7 para 8 mil deve ser realizado através do deslocamento de projécteis nucleares de baixa potência da nova geração e serão concluídos até 2026.
A criação de projécteis nucleares compactos de potência de 10 a 1000 toneladas de TNT, destinados particularmente para serem instalados nos mísseis de cruzeiro e satélites espaciais.
“Tal modernização nuclear parece ameaçadora, porque é ligada com a nova doutrina estratégica de Moscovo, que exige a aplicação operativa das armas nucleares durante qualquer conflito comum”, indica a edição.
A modernização também afectará várias instalações subterrâneas do comando nuclear, destinadas para proteger os chefes militares e civis em caso de uma guerra nuclear. Neste contexto, a edição lembra sobre tais instalações como o bunker subterrâneo do sistema Perimetr das Forças Estratégicas de Mísseis, que se localiza na área montanhosa da parte norte dos Montes Urais, o bunker Beloretsk-16 da parte sul dos Montes Urais e também os abrigos em Voronovo e Sharapovo que ficam perto de Moscovo. A edição diz que tais iniciativas são realizadas contornando os acordos.

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