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Diplomatas chineses e australianos em guerra verbal sobre o Mar do Sul

Diplomatas chineses e australianos envolveram-se numa discussão no Twitter sobre as movimentações de Pequim no Mar do Sul da China, após Camberra ter apoiado a posição dos Estados Unidos sobre as reivindicações territoriais chinesas.

Pela região circulam mais de cinco mil milhões de dólares de mercadorias anualmente
Fotografia: DR

A Austrália requisitou, recentemente, um memorando nas Nações Unidas que aponta que as reivindicações “não têm base legal”, envolvendo-se, assim, numa controvérsia que atraiu reacções fortes de Pequim.

O alto comissário australiano nas Nações Unidas, Barry O'Farrell, escreveu, na quinta-feira, na rede social Twitter, que disse ao ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia que as medidas da China são “desestabilizadoras e susceptíveis de provocar uma escalada”.

Em resposta, o embaixador chinês, Sun Weidong, acusou O'Farrell de “desconsiderar os factos”. “É evidente quem salvaguarda a paz e a estabilidade e quem desestabiliza e provoca escaladas militares na região”, acusou. O'Farrell reagiu ao apontar que a China devia seguir uma decisão do Tribunal Internacional de Haia, que remonta a 2016, e que rejeitou a maioria das reivindicações de Pequim. A China denunciou a decisão como “ilegal” e não vinculativa.

Os comentários de O'Farrell atraíram elogios dos internautas da Índia, onde o público e os políticos têm apelado a uma linha mais dura nas relações com a China, após um confronto sangrento ao longo da fronteira disputada entre os dois países. A China disse, ontem, que bombardeiros de longo alcance estiveram entre as aeronaves que participaram de exercícios aéreos recentes sobre o Mar do Sul da China, face às crescentes tensões entre Washington e Pequim em torno daquela rota marítima estratégica.

Os exercícios incluíram partidas e aterragens nocturnas e simularam ataques de longo alcance, disse o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Ren Guoqiang.

Entre os aviões constaram os bombardeiros H-6G e H-6K, versões actualizadas de aeronaves há muito usadas nas Forças Armadas da China, disse Ren.
Os exercícios foram agendados anteriormente e visam aumentar as habilidades dos pilotos para operar sob todas as condições, independentemente do clima ou da hora do dia.

Ren não detalhou se foram usadas bombas reais.

O Governo chinês construiu pistas de aterragem em muitas das ilhas no Mar do Sul da China, incluindo ilhas artificiais sobre recifes de coral. Os navios chineses, incluindo dois porta-aviões, realizam operações frequentes na área, às vezes para monitorar e, ocasionalmente, assediar navios de outros países.

Pequim reivindica como sua a maioria do Mar do Sul da China, apesar dos protestos do Vietname, Filipinas, Malásia e Brunei. Este mar estratégico, por onde transitam anualmente cerca de cinco mil milhões de dólares de mercadorias, tem vastas reservas de gás e petróleo.

As tensões recorrentes entre países com fronteiras com o Mar do Sul da China são consideradas como uma fonte potencial de conflito na Ásia.

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