Mundo

Dívida dos Estados africanos atingem os 50 mil milhões dólares

Desde que o Egipto reportou o primeiro caso confirmado de Covid-19 em África, em 14 de Fevereiro, os números não pararam de aumentar, com os últimos dados a indicarem cerca de 140 mil casos confirmados e 4 mil mortes. A África do Sul já chegou aos 30 mil infectados, o Egipto está acima dos 22 mil e a Nigéria perto dos 10 mil casos.

Fotografia: DR

Em final de Março, investigadores do Imperial College London estimaram que a Covid-19 poderia provocar a morte a mais de 300 mil pessoas na África subsaariana.

Os Governos africanos enfrentam uma emergência de saúde pública e uma crise multidimensional com implicações a longo prazo. Uma crise que pede respostas país a país, Governo a Governo – numa coordenação do sector público com o privado e com a sociedade civil - mas também um conjunto de acções regionais e internacionais. A ajuda internacional deve ser direccionada para o apoio às medidas emergenciais de saúde pública e na assistência ao desenvolvimento, de forma a que cada país possa gerir, de moto próprio, a crise económica e as necessidades humanitárias.

O alívio da dívida é indispensável. Há 50 mil milhões de dívida no conjunto dos países africanos para pagar este ano, o que se afigura impossível. O FMI e o Banco Mundial jogam aqui um papel importante no sentido de actuarem sobre o serviço da dívida nos próximos anos, e não só em 2020, opinam vários analistas, os mesmos que defendem que são necessários novos financiamentos - com prestação de contas, evidentemente, mas sem ser contingente - numa resposta que se pede rápida e em escala, o que não será fácil para as instituições de Bretton Woods.

A União Africana é parte indispensável neste processo, liderada actualmente por Cyril Ramaphosa, que chamou para o apoiarem a ministra das Finanças nigeriana, Ngozi Okonjo-Iweala, o ruandês e ex-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Donald Kaberuka, o franco-marfinense e ex-CEO do Crédit Suisse, Tidjane Thiam, e o sul-africano Trevor Manuel, ministro das Finanças de Mandela e Mbeki.

Tempo

Multimédia