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Droga entra nos EUA por fronteiras legais

A maioria da droga que é traficada para os Estados Unidos entra no país através de barco, comboio ou transportada em carros ou reboques, passando muitas vezes através de fronteiras legais. Este é, de acordo com a CNN, um testemunho comum à grande parte dos depoimentos de antigos membros do cartel de Sinaloa, dirigido por Joaquin “El Chapo” Guzmán, considerado o narcotraficante mais poderoso do mundo, que está actualmente a ser julgado nos Estados Unidos.

Ex-companheiros de “El-Chapo”, também preso nos Estados Unidos, descreveram os caminhos por onde é traficada a droga até chegar aos Estados Unidos da América
Fotografia: DR

De acordo com o relato da CNN, citado pelo Diário de Notícias, alguns dos antigos membros do Sinaloa falaram na utilização de túneis subterrâneos para fazer chegar a droga aos Estados Unidos, mas a vigilância das autoridades norte-americanas de combate ao tráfico, que fecharam vários destes túneis, acabou por fazer o cartel optar por outras vias.

Jesus Zambada Garcia, um dos antigos chefes do cartel, que foi preso no México em 2008 e extraditado para os EUA, revelou que, no final da década de 80, cerca de 95% da cocaína que entrava no país era levada através de túneis subterrâneos na fronteira do Estado do Arizona com o México. Mas quando esta opção se tornou mais arriscada, os narcotraficantes passaram a apostar no tráfico em carros, camiões ou reboques, com a droga escondida em compartimentos falsos.

“Contratávamos famílias mexicanas para conduzir carros, com compartimentos secretos, que atravessavam a fronteira em Juarez, três ou quatro vezes por dia”, testemunhou Vicente Zambada, sobrinho do primeiro.

Outro traficante, Tirso Martinez Sanchez, disse que, entre 2000 e 2003, fez passar 30 a 50 toneladas de cocaína acopladas a depósitos de gasolina. A droga era colocada em sacos, em sistema de vácuo, embrulhada em plástico que depois era embebido em óleo para enganar os cães treinados para detectar drogas. 

Outro método amplamente usado era o transporte, por via marítima, com a droga a ser levada de alto mar para a costa através de barcos de pesca ou outro tipo de embarcações - os cartéis chegaram, aliás, a criar semi-subversíveis, que se assemelhavam a submarinos, mas que se deslocavam à superfície da água para despistar a guarda costeira americana.

Juan Carlos “La Chupeta” Ramirez é outro nome importante do narcotráfico, que trabalhou com “El Chapo” nos anos 90. Ele, que está também detido nos Estados Unidos e a cooperar com as autoridades, diz que a estratégia era fazer passar tanta droga que, mesmo que alguma fosse apanhada, continuaria largamente a valer a pena.

Os relatos ganham relevância, numa altura em que a Administração americana trava um braço de ferro com o Congresso, que está a levar ao encerramento parcial dos serviços federais - o chamado “shutdown”. 

Trump quer mais cinco mil milhões de euros para construir um muro na fronteira com o México, alegando ser a forma de travar a entrada ilegal de imigrantes, de terroristas e de drogas. Os democratas contestam a intenção e se recusam a aprovar o financiamento do muro.

Trump já admitiu declarar o estado de emergência, o que lhe permitiria contornar o impasse, e tem usado largamente o Twitter para defender o muro na fronteira com o México, como uma medida essencial para a segurança nacional.

Ex-Presidente mexicano terá recebido subornos de 100 milhões de “El Chapo”

Uma testemunha no julgamento do narcotraficante mexicano Joaquin “El Chapo” Guzman afirmou na terça-feira que este pagou ao Ex-Presidente mexicano Enrique Peña Nieto subornos que terão ascendido a 100 milhões de dólares (87,6 milhões de euros).

É a primeira vez, desde o início do julgamento, em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, em Novembro, que uma testemunha implica directamente o antecessor de Andres Manuel Lopez Obrador.

“Guzman pagou subornos de 100 milhões de dólares ao Presidente Peña Nieto?”, perguntou Jeffrey Lichtman, advogado de defesa, à testemunha Alex Cifuentes. “É isso”, respondeu Cifuentes, citado por vários jornalistas presentes na audiência, embora depois tenha dito não estar certo do montante exacto.

Este narcotraficante colombiano, colaborador próximo de Guzman desde 2007, até ter sido detido em Novembro de 2013, agora colabora com a Justiça americana.

Cifuentes confirmou assim publicamente um testemunho recolhido em Janeiro de 2016, pelos investigadores norte-americanos, aos quais falou então daquele suborno.

Segundo Lichtman, na altura, o colombiano disse que Peña Nieto tinha inicialmente exigido 250 milhões de dólares, mas que “El Chapo” tinha conseguido diminuir o montante para 100 milhões.

 

O julgamento estava inicialmente previsto para durar quatro meses, mas deve terminar antes desse prazo. As autoridades americanas afirmam que “El Chapo”, que arrisca à prisão perpétua, enviou para os Estados Unidos mais de 154 toneladas de cocaína entre 1989 e 2014, com um valor estimado em 14 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil mi-lhões de euros).



 

 


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