Mundo

Eleições presidenciais na Argélia marcadas para 12 de Dezembro

O Chefe de Estado interino da Argélia, Abdelkader Bensalah, anunciou na segunda-feira, que as eleições presidenciais serão realizadas no dia 12 de Dezembro, noticiou hoje, a Reuters. O anúncio de Abdelkader Bensalah foi feito num discurso à Nação.

Fotografia: DR

“Decidi que a data das eleições presidenciais será quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019”, disse Bensalah que, de acordo com a Constituição do país, não pode ser candidato.
O Chefe de Estado interino da Argélia, que assinou hoje, o decreto da convocatória do acto eleitoral, pediu aos argelinos “que contribuam colectivamente, em 12 de Dezembro, para escrever a história do país e a escolha do novo Presidente”.
A eleição presidencial para eleger um sucessor de Abdelaziz Bouteflika, inicialmente marcada para o dia 4 de Julho, teve que ser cancelada, por não terem surgido candidatos, face à contestação, que abalou o país desde 22 de Fevereiro.
A data anunciada para a realização das eleições presidenciais coincide com os prazos exigidos pelo chefe de Gabinete do Exército, Ahmed Gaïd Salah, considerado o homem forte do país, desde a renúncia forçada do Presidente Abdelaziz Bouteflika, no dia 2 de Abril.
HRW acusa Governo
A organização de defesa dos direitos humanos Human Rigths Watch (HRW) denunciou hoje um aumento da repressão pelas autoridades contra o movimento de contestação ao Governo, nas ruas desde 22 de Fevereiro.
“As autoridades detiveram pessoas que apenas empunharam uma bandeira ou um cartaz. Prenderam um antigo combatente da guerra da independência porque ele criticou as Forças Armadas, impediram reuniões de partidos políticos e de associações e bloquearam um destacado site de informações”, enumerou a HRW num comunicado.
Cada sexta-feira, dia de uma grande manifestação, há quase 30 semanas, um dispositivo policial dissuasor ocupa as ruas do centro de Argel e são colocadas barreiras nas estradas que conduzem à capital, limitando o número dos que podem participar no cortejo, adiantou a organização. />“As autoridades inicialmente toleraram as manifestações que reuniam milhões de pessoas exigindo reformas políticas”, mas têm vindo a “aumentar a repressão”, considera Lama Fakih, directora regional interina da HRW para o Médio Oriente e o Norte de África.
Cerca de 40 manifestantes, detidos desde Junho, estão em prisão preventiva, acusados “de violação da integridade do território” por empunharem uma bandeira "amazigh" (berbere), um crime passível de 10 anos de prisão.
“Segurar uma bandeira de uma comunidade étnica é um acto de expressão pacífica protegido por convenções internacionais ratificadas pela Argélia”, lembra a HRW.
A 27 de Agosto, as autoridades proibiram duas reuniões de organizações na liderança do movimento de contestação: a da União Acção Juventude (RAJ), uma associação da sociedade civil, e a das Forças de Alternativa Democrática, uma coligação de três partidos.
Também em Agosto, um membro da HRW, Ahmed Benchemsi, que observava uma manifestação, foi detido durante uma dezena de horas e privado do passaporte durante 10 dias, antes de ser expulso, sem ser informado de qualquer acusação, recorda a organização.
Vários jornalistas estrangeiros foram igualmente expulsos desde Abril, incluindo o director da delegação da agência France-Press em Argel e enviados da agência Reuters e da emissora turca TRT, enquanto o "site" de informações TSA está inacessível desde Junho.
“As autoridades violam os direitos e intensificam a repressão”, assinala Fakih, defendendo que “deviam recuar e conceder ao povo argelino as liberdades de expressão e de reunião a que têm direito.

Tempo

Multimédia