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Eleitores da Holanda e Reino Unido inauguraram abertura das urnas

Os britânicos e os holandeses foram ontem às urnas para eleger os seus representantes no Parlamento Europeu (PE), num escrutínio cujo calendário se estende até domingo.

Bloco comunitário enfrenta grande desafio numa altura em que cresce o cepticismo quanto à UE
Fotografia: DR

De acordo com a empresa de estudos de mercado Ipsos, a afluência às urnas na Holanda situava-se, ontem, ao início da tarde, nos 14 por cento, menos um ponto percentual do que a participação verificada à mesma hora nas últimas europeias, realizadas em 2014.
As assembleias de voto no Reino Unido, apesar do “Brexit”, abriram cerca das 7h00 locais (mesma hora em Angola), meia hora depois da abertura na Holanda.
No total, cerca de 400 mi-lhões de eleitores são chamados a votar nos 28 países do bloco comunitário para eleger 751 eurodeputados até domingo à noite.
Depois do Reino Unido e Holanda, que inauguraram o acto eleitoral, segue-se, hoje, a Irlanda. Letónia, Malta e Eslováquia votam amanhã. Na República Checa o voto prolonga-se por dois dias, hoje e amanhã. Todos os outros Estados-membros, incluindo Portugal, que elege 21 deputados, escolheram domingo para a ida às urnas.
Além da abstenção, que tem crescido a cada nova eleição e nas últimas europeias (2014) foi de 57 por cento, no conjunto dos Estados-membros, estas eleições estão marcadas pela expectativa de uma maior fragmentação do Parlamento Europeu, com a “coligação” maioritária entre conservadores e socialistas ameaçada pelo crescimento de liberais e nacionalistas.
Outra das particularidades deste exercício eleitoral é a provável alteração da composição do hemiciclo e, consequentemente, da correlação de forças no PE aquando da saída do Reino Unido da União Europeia (UE).
Até que o “Brexit” se concretize, o Reino Unido elege os seus 73 eurodeputados e o PE mantém os 751 lugares actuais. A partir do momento que o país deixar de ser membro, o PE vai passar a ter 705 eurodeputados, com parte dos 73 lugares dos britânicos a serem redistribuídos por outros Estados-membros e parte a ficar numa “reserva” para futuros alargamentos.

Importância da UE
Depois de votar, logo pela manhã, nas eleições europeias, o Primeiro-Ministro da Holanda, o liberal Mark Rutte, exortou os cidadãos a comparecerem às urnas, lembrando a importância da União Europeia para a segurança, estabilidade e prosperidade daquele país.
“Para a nossa segurança, para os nossos empregos, para a nossa prosperidade, nossa estabilidade, precisamos de mantermo-nos como uma parte da UE”, afirmou o líder do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD, centro-direita), que se deslocou de bicicleta até à respectiva assembleia de voto, localizada na sua antiga escola primária.
Mark Rutte, que também reconheceu em declarações no local de voto que o bloco comunitário de 28 Estados-membros precisa de reformas, aproveitou a ocasião para tirar uma “selfie” com os elementos que integravam a mesa de votação e para cumprimentar alguns alunos.
Recentes projecções apontam que o VVD de Rutte está numa luta renhida com o Fórum pela Democracia (FvD), partido liderado por Thierry Baudet, o novo rosto da direita populista holandesa, para ser a força política mais votada nas europeias na Ho-landa (um dos países fundadores do bloco europeu).
Defensor de um potencial “Nexit” (a saída da Holanda da UE), Baudet é conhecido por ter um discurso dirigido às elites e por afirmações polémicas sobre a imigração, a igualdade entre homens e mulheres ou as alterações climáticas.

“Brexit”: principal questão em jogo

O “Brexit” é apontado como a principal questão em jogo nas eleições para o Parlamento Europeu que decorreram on-tem no Reino Unido, levando muitos eleitores contactados pela Lusa, em Londres, a optar por partidos contra a saída da UE.
À porta de uma mesa de voto num edifício da Metropolitan University, no município londrino de Islington, Alice, de 35 anos, trocou o voto tradicional no Partido Trabalhista para votar nos Verdes, embora tenha também ponderado votar nos Liberais Democratas.
“Estas eleições têm a ver com o Brexit e não com partidos. Votar no Partido Trabalhista não enviaria uma mensagem suficientemente anti-Brexit”, disse à agência Lusa.
O Norte de Islington é a área que elege Jeremy Corbyn há mais de 30 anos, desde 1983.
Nas eleições legislativas de 2017, o líder trabalhista foi reeleito para a Câmara dos Comuns com 72,8 por cento dos votos.
Na zona sul de Islington, a deputada é a trabalhista Emily Thornberry.
A posição oficial do partido é aceitar o resultado do referendo de 2016, quando 52 por cento dos eleitores votaram a favor da saída da UE, mas muitos militantes defendem um novo referendo, o que Corbyn tem resistido a fazer.
Residente numa região tradicionalmente 'Labour', Alice admitiu que “esta questão é muito complexa” e que tem familiares e amigos com quem partilha a filiação política, mas que defendem a saída do Reino Unido da UE. As divergências sobre a relação do Reino Unido com a UE entre partidos e dentro dos partidos políticos é a causa do impasse que impede que seja aprovado o acordo de saída que implementa o “Brexit”, o qual já foi chumbado três vezes.
A discórdia está também presente em várias famílias.
As mesas de voto no Reino Unido, que elege 73 eurodeputados, encerraram ontem às 22h00, mas os resultados só serão conhecidos domin-go, depois de fecharem as mesas em todos os Estados membros.
Apesar de o “Brexit” ter sido votado num referendo em 2016, o chumbo por três vezes no Parlamento britâni-co ao acordo de saída negociado com Bruxelas obrigou o Governo adiar a data da saída, cujo prazo foi diferido para 31 de Outubro.

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