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Emmerson Mnangagwa

Casado, pai de dois filhos e jurista de profissão, Emmerson Mnangagwa desde muito jovem que aprendeu a conviver com a política, visto que a sua família era das mais activas na sua região na luta contra o regime colonial de Ian Smith.


Completou a sua educação básica numa escola primária na localidade onde nasceu e em 1955 passou, juntamente com a família, a viver na então Rodésia do Norte, actual Zâmbia, onde prosseguiu os estudos.
Devido ao seu activismo político, acabou por ser preso, sendo já na cadeia que passou a estudar por correspondência com uma escola londrina.
Em 1960, depois de sair da prisão, conseguiu eleger-se secretário da Liga da Juventude do Partido Nacional Unido para a Independência (UNIP), sedeada em Lusaka.
Dois anos depois foi recrutado pela ZAPU de Joshua Nkomo, passando a viver na Tanzânia. Em 1963, juntamente com outros quadros da ZAPU foi enviado para a Academia Militar do Egipto, onde recebeu treino específico.
Em Agosto desse ano todos os quadros que a ZAPU enviou para o Egipto juntaram-se à recém formada ZANU-PF, altura a partir da qual começou a conviver com Robert Mugabe. Era então um jovem com apenas 21 anos de idade, nunca mais perdendo a partir daí o contacto com o homem que agora vai substituir na liderança do Zimbabwe, sendo mesmo ao longo da sua carreira política um dos seus principais auxiliares.
Depois de uma passagem por um campo da Frelimo, em Bagamoyo, Mnangagwa é enviado para a China com outros quadros da ala armada do partido, tendo estado dois meses na Escola de Marxismo na Universidade de Pequim, a que se seguiram mais três meses de aprendizagem de tácticas de combate.
Em Maio de 1964, depois de concluídos os treinos militares, o grupo regressa a Tanzânia onde forma o “Grupo Crocodilo”.
Este grupo participou nessa altura no Congresso da ZANU-PF, na cidade zimbabweana de Gweru, no qual Robert Mugabe foi eleito secretário-geral e Ndabaningi Sithole presidente.
A partir de então, o “Grupo Crocodilo” nunca mais se separou, tendo sido enviado para várias missões pelas sucessivas lideranças da ZANU-PF, o que serviu para consolidar a confiança entre Mugabe e Mnangagwa.
Essa confiança, no essencial, marcou um itinerário comum entre estes dois homens. Depois da independência do Zimbabwe, em 1980, Mnangagwa tornou-se no primeiro ministro da Segurança de Estado do novo país.
Entre 1988 e 2000 foi ministro da Justiça, depois dos Assuntos Parlamentares e  secretário do Conselho de Ministros. Ainda nesse período de tempo foi durante 15 meses ministro das Finanças e dos Negócios Estrangeiros por apenas um mês.
Em 2000, nas eleições parlamentares, perdeu a corrida para Blessin Chebundo, do MDC, em Kwekwe, mas Robert Mugabe acabou por “repescá-lo” para um dos lugares do Parlamento, deixando de fora um elemento da ZANU-PF.
Na sequência desta “repescagem” acabou por ser eleito em 18 de Julho de 2000 para Presidente do Parlamento.
Em 2007 desempenhou um papel fundamental no combate a uma tentativa de golpe de estado militar, sendo os seus protagonistas presos e expulsos das Forças Armadas.
De acordo com dados oficiais, os militares golpistas chegaram a perguntar a Emmerson Mnangagwa se aceitava substituir Mugabe, tendo ele respondido que se tratava de uma questão “estúpida”.
Na segunda volta
das eleições de 2008

Mnangagwa foi o director da campanha de Robert Mugabe e teve um papel fundamental no seu triunfo, mediando um entendimento com o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, dando assim lugar à formação de um “governo inclusivo” entre a ZANU-PF e duas forças concorrentes. Refira-se que nessa segunda volta Tsvangirai desistiu de participar, uma vez que havia sido vítima de sucessivos actos de violência por parte das forças policiais.
Nesse “governo inclusivo”, constituído em 2009, Mnangagwa desempenhou as funções de ministro da Defesa, para em Julho de 2013 passar a ser o titular da pasta da Justiça e dos Assuntos Legais.
Em Dezembro de 2014 foi apontado por Robert Mugabe para Vice-Presidente da República, passando a partir daí a ser considerado como o “mais que o seu mais que provável” sucessor na liderança do país.
Há duas semanas, após entrar em rota de colisão com Grace Mugabe, Mnangagwa foi demitido de Vice-Presidente, exilando-se na África do Sul, de onde regressou quarta-feira para assumir a liderança do país, pelo menos até às próximas eleições, que se deverão realizar em Setembro do próximo ano. É conhecida a amizade que tem com Constantine Chiwenga, bem como com as actuais chefias militares e policiais do país.
É também considerado
um dos homens mais ricos do Zimbabwe.

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