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Erdogan e Putin debatem situação da guerra na Síria

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, deslocou-se ontem a Moscovo para negociar com o homólogo russo, Vladimir Putin, possíveis soluções para o conflito na Síria após o anúncio da retirada das tropas norte-americanas do país.

Presidente da Turquia com homólogo russo, momentos antes do início das conversações
Fotografia: DR

Segundo o porta-voz da Presidência turca, Ibrahim Kalin, “o objectivo da visita é sobretudo coordenar com a Rússia a situação que surgirá depois da retirada dos Estados Unidos” da Síria.

O Presidente Donald Trump anunciou em Dezembro a retirada do território sírio dos cerca de dois mil soldados norte-americanos que aí se encontram, justificando a saída com a derrota do grupo Estado Islâmico (EI), mas os terroristas, entrincheirados em pequenos sectores no Leste da Síria, continuam a perpetrar atentados mortíferos.

O Governo de Ancara está a negociar com Washington o controlo de uma faixa de segurança de 32 quilómetros de largura ao longo da fronteira turco-síria, expulsando de lá as milícias sírias curdas Unidades de Protecção do Povo (YPG), aliadas dos Estados Unidos (EUA) na luta contra o Estado Islâmico.

A Turquia considera as YPG uma entidade terrorista devido à ligação ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), a guerrilha turca curda, e quer acabar com a Administração autónoma que as milícias instalaram no norte da Síria, uma ideia que desagrada à Rússia, porque vai dificultar o Governo do Presidente sírio, Bashar al-Assad, apoiado por Moscovo na recuperação do controlo sobre esse território.

“Estamos convencidos  que a única opção e a melhor é a transferência desses territórios para o controlo do Governo sírio, o Exército sírio e as administrações locais”, disse recentemente o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov.

A possibilidade de, perante um avanço turco, as YPG preferirem entregar o território a Bashar al-Assad preocupa Ancara, mas é do agrado de Moscovo, pelo que a retirada norte-americana poderá abrir novos conflitos de interesses entre a Turquia e a Rússia.

“Aplaudimos e apoiamos os contactos iniciados entre representantes curdos e as autoridades sírias com o objectivo de acordar como restaurar a vida num Estado único sem ingerência externa”, afirmou Serguei Lavrov. 

Recep Tayyip Erdogan anunciou também para breve uma cimeira tripartida com Vladimir Putin e o Presidente iraniano, Hassan Rohani, que se prevê possa realizar-se nos próximos meses.

“Última vila dos terroristas” 

Uma aliança de combatentes curdos e árabes apoiada por Washington, anunciou ontem a conquista da última “vila ocupada pelo EI no leste da Síria, confinando os terroristas a duas aldeias, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. 

O OSDH adianta que as Forças Democráticas Sírias (FDS), que lançaram em Setembro uma ofensiva contra o último bastião do EI na província de Deir Ezzor, na fronteira com o Iraque, reivindicaram a conquista da vila de Baghouz deixando os terroristas com o controlo de apenas duas aldeias e alguns terrenos agrícolas.

“Prosseguem as operações de busca em Baghouz para encontrar elementos do EI que se possam ter escondido”, precisou o director do OSDH, Rami Abdel Rahmane, adiantando que “as FDS devem agora avançar para as terras agrícolas perto de Baghouz”.

Após a conquista de vastos territórios na Síria e no Iraque em 2014 e 2015, o EI começou a perder território, vendo-se agora reduzido a alguns pequenos sectores.

“Vemos muitos combatentes inimigos [do EI] a fugirem”, indicou à agência France-Press o porta-voz da coligação internacional que apoia as FDS, o coronel Sean Ryan.

“As forças sírias estão a menos de 10 quilómetros da fronteira iraquiana e continuam a enfrentar a resistência de combatentes obstinados”, disse.

Sean Ryan adiantou que a missão da coligação “continua a ser a derrota definitiva do EI”.

“É difícil dizer quanto tempo levará, apesar dos avanços”, sublinhou, indicando que se tenta “não falar em termos de prazos, mas antes de enfraquecer as capacidades do inimigo”.

Desde Setembro, os confrontos na zona do último bastião do EI mataram mais de um milhar de rebeldes e mais de 600 combatentes das FDS, além de civis.

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