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Eslovenos votaram para eleger Governo

Cerca de 1.7 milhões de cidadãos eslovenos votaram ontem para as eleições parlamentares, as oitavas desde a independência, em 1991.

Tema de imigração dominou discursos, durante a campanha eleitoral
Fotografia: DR

As eleições legislativas nesta pequena República ex-jugoslava de dois milhões de habitantes, ocorreram uma semana antes da data prevista, devido à demissão do primeiro-ministro, o liberal Miro Cerar, por divergências na coligação governamental.
A Eslovénia, que desde 2004 faz parte da União Europeia e desde 2007 tem o euro como moeda, poderá ver regressar ao Governo a democracia-cristã do antigo primeiro-ministro Janez Jansa, que fez da rejeição à imigração o tema central da sua campanha.
O conservador Janez Jansa, primeiro-ministro de 2004 a 2008 e de 2012 a 2013, altura em que um tribunal de Ljubljana o condenou por alegada corrupção no contrato de compra de blindados finlandeses, celebrado durante o seu primeiro mandato, reúne 25,5 por cento das intenções de voto no Partido Democrata Esloveno.
As sondagens indicavam uma votação de 13,7 por cento para o independente Marjan Sarec, um antigo comediante que se tornou presidente de câmara de uma pequena cidade da província.
A lista de Marjan Sarec (LMS), que rejeita qualquer coligação com o Partido Democrata Esloveno, apresentou-se ao sufrágio com um discurso de que chegou a hora de dar lugar a uma nova geração de “políticos novos e jovens”, que não pactuam com pessoas envolvidas em casos de corrupção.
Marjan Sarec, que se tornou um político muito popular, disputou a segunda volta das eleições presidenciais de Novembro de 2017 e conseguiu 47 por cento dos votos, embora não tenha conseguido vencer o actual Presidente da Eslovénia, Borut Pahor. Se não alcançar a maioria parlamentar, Jansa será obrigado a encontrar um parceiro de Governo e apenas o pequeno partido Nova Eslovénia, que significa 8,3 por cento das intenções de voto, mostrou-se aberto a uma coligação, ainda que possa revelar-se insuficiente para formar um executivo.
O Partido do Centro Moderno, do actual primeiro-ministro, Miro Cerar, recolheu 8,8 por cento das intenções de voto.
Cerar não se apresentou ao sufrágio, mas o bloco constituído pela actual maioria de centro-esquerda continua a pesar 29,4 por cento, com os sociais-democratas a representarem 12,5 por cento e o Partido Democrata dos Reformados (DeSus) 8,1 por cento.
Embora Jansa tenha revelado confiança em obter a maioria dos 90 deputados na Assembleia Nacional para formar Governo, todas as equações são possíveis nas eleições eslovenas, que decorreram pela primeira vez num contexto de crescimento económico.
O país, conhecido como a “Pequena Suíça dos Balcãs”, entrou em crise em 2008, quatro anos depois de ter entrado na União Europeia, e quase foi alvo de uma intervenção internacional em 2013.
A Eslovénia saiu da crise no ano seguinte e, no ano passado, cresceu 5,5 por cento, um dos valores mais expressivos da União Europeia, com uma inflação de 1,6 por cento, desemprego situado em 6,6 por cento da população activa e uma dívida pública de 69,5 por cento do Produto Interno Bruto.

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