Mundo

Estado Unidos admitem resposta militar contra Irão

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu hoje responder militarmente ao Irão, País que acusa de estar por detrás dos ataques com drones às instalações petrolíferas da Aramco, Arábia Saudita, apesar de Teerão ter já negado, no domingo a autoria dos disparos.

Fotografia: DR

O ataque já foi reivindicado pelos rebeldes iemenitas Huthis, no entanto sauditas e norte-americanos apontam o dedo ao Governo iraniano, que nega qualquer relação com o ataque. O Governo dos Estados Unidos publicou várias imagens de satélite, com áreas assinaladas como correspondendo a zonas de impacto dos mísseis alegadamente disparados pelo Irão. De acordo com funcionários dos serviços de inteligente dos Estados Unidos, citados pelo “New York Times”, o trajecto dos mísseis indica que estes foram disparados a partir do Norte do Golfo Pérsico e não do Iémen.
Donald Trump fala mesmo em retaliação, sugerindo que é possível uma resposta militar norte-americana, se contar com o apoio da investigação das autoridades da Arábia Saudita.
“As refinarias de petróleo da Arábia Saudita foram atacadas. Há razões para pensar que conhecemos o culpado, estamos carregados e prontos, com verificação pendente, mas estamos a aguardar por notícias do reino (saudita) sobre quem eles acreditam que foi a causa desse ataque e em que termos vamos prosseguir!”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos na rede social Twitter.
Também o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, acusou o Irão de ser o responsável pelo incêndio, acrescentando que não há provas que mostrem que o ataque tenha tido origem no Iémen. Para Pompeo, o incidente junta-se a uma lista de outros 100 já concretizados e levados a cabo pelo Irão para prejudicar a produção petrolífera. Este ano, os americanos acusaram o Irão de ser o responsável pelos ataques a dois navios petroleiros no Golfo, em Junho e Julho, bem como a outros quatro em Maio.
“Pedimos a todas as nações que condenem publicamente de forma inequívoca os ataques do Irão. Os Estados Unidos trabalharão com os parceiros e aliados para garantir que o mercado de energia permaneça bem abastecido e o Irão seja responsabilizado pela agressão”, referiu Pompeo no Twitter.
Em resposta às acusações da Administração de Donald Trump, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Abbas Mousavi, disse: “Tais acusações e comentários cegos são incompreensíveis e sem sentido”. Acrescentando ainda que os EUA adoptaram uma política de “pressão máxima” sobre o país, que leva a “mentiras máximas”.
Sobre a possibilidade levantada no domingo de um possível encontro entre os governos iraniano e norte-americano, a agência Reuters adiantou, na segunda-feira, que o Presidente do Irão não está disponível para se reunir com Donald Trump. Também o Chefe de Estado norte-americano já fez saber, via Twitter, que desconsidera esta mesma hipótese.

UE pede contenção

Perante a perspectiva dos dois países não aceitarem resolver o conflito pela via diplomática, a União Europeia pediu hoje, a “máxima contenção” “É importante estabelecer claramente os factos e determinar a responsabilidade por este ataque abominável”, disse a porta-voz da Comissão Europeia para a Política Externa, Maja Kocijancic, citada pela agência Lusa.
Horas antes, também a China e a Rússia apelavam “às partes envolvidas para se absterem de tomar medidas que levem ao aumento das tensões na região”. “Na ausência de uma investigação incontestável que permita tirar conclusões, não é responsável conjeturar sobre quem deve ser responsabilizado”, afirmava em conferência de imprensa Hua Chunying, a porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros.
“Este incidente é uma história muito desagradável com consequências muito desagradáveis para os mercados mundiais de petróleo”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, esperando que “a Arábia Saudita seja capaz de lidar com os danos o mais depressa possível”.

Tempo

Multimédia