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Livro arrasa Presidente Donald Trump

Victor Carvalho |

A publicação ontem de um livro, intitulado “Fogo e Fúria”, contendo alegados pormenores sobre a forma como Donald Trump conseguiu chegar à Casa Branca, volta a agitar a opinião pública que teve acesso ao trabalho de Michael Wolff em colaboração com Steve Bannon, um dos seus principais assessores durante a campanha eleitoral, e alimenta uma polémica que já vem de trás.

Opinião pública dos EUA está agitada com o conteúdo do livro “Fogo e Fúria” de Michael Wolff sobre Trump
Fotografia: Jim Watson | AFP

Neste livro, Steve Bannon, que foi um dos principais assessores de Donald Trump durante a sua corrida para a Casa Branca, faz declarações explosivas sobre os bastidores da campanha e do dia-a-dia da residência oficial do líder dos EUA, acusando directamente o filho do Presidente, Donald Trump Jr., de se ter reunido com russos para receber informações detalhadas sobre Hillary Clinton.
Donald Trump já reagiu na sua conta no Twitter dizendo que o seu antigo colaborador é um “mentiroso” e que terá “ficado doido depois de ter perdido o emprego”. O autor do livro que tem 336 páginas, o jornalista norte-americano Michael Wolff, que entre outros trabalhos é o autor da biografia do milionário do sector da comunicação social Rupert Murdoch, teve durante largos meses acesso directo à Casa Branca e aos mais estreitos colaboradores de Donald Trump.
Durante esse período, ele ouviu e acompanhou Donald Trump e os seus mais directos colaboradores durante algumas das suas actividades.
Entre esses colaboradores estava Steve Bannon, que até Agosto do ano passado era o conselheiro estratégico de Donald Trump, um cargo natural para quem foi um dos seus principais assessores durante a campanha eleitoral. Descrito como um “drama desagradável” onde Steve Bannon desempenha o papel principal, por ser a fonte assumida de grande parte do que lá está escrito, o livro relata episódios que se terão passado nos bastidores da campanha e depois na Casa Branca e envolve especialmente a família Trump.
Numa parte do livro, de acordo com o jornal “The Guardian”, Donald Trump Jr. terá mantido na Trump Tower, em Nova Iorque, um encontro com a russa Natalia Veselnitskaya, em Junho de 2016, em plena campanha eleitoral na corrida para a Casa Branca.
Steve Bannon, ao relatar este encontro, acusou o filho mais velho de Donald Trump,  bem como o genro, Jared Kushner, e o então director de campanha, Paul Manafort, de terem sido “anti-patriotas” e de terem “atraiçoado os Estados Unidos”.
Ainda segundo Steve Bannon, os três interlocutores de uma suposta advogada russa, “acharam que era normal encontrarem-se com uma cidadã estrangeira para acertar pormenores sobre o posterior envolvimento de espiões russos na obtenção de informação secreta sobre Hillary Clinton”.
“Se a reunião tivesse que acontecer nunca poderia ser no hotel que é propriedade de Donald Trump, nem nela deveriam participar as pessoas que lá estiveram. Teria que haver o cuidado de não envolver pessoalmente o candidato nesses encontros e deles dar conhecimento às autoridades”, é referido no mesmo livro. Ainda no livro, Steve Bannon não poupa críticas à esposa de Donald Trump, Ivanka Trump, a quem acusa de ser “vaidosa e ambiciosa”, deixando no ar a ideia de ser ela a responsável por algumas das decisões que o marido toma.
“Ela (a esposa de Trump) fala mais do que devia, quase sempre mal. O Presidente ouve-a mais do que devia e só se arrepende disso mais tarde”, é revelado numa outra passagem do livro revelada pelo “The Guardian”.
“A própria família Trump olha para Ivanka com pouco entusiasmo ao ponto de terem decidido que a próxima candidata à Casa Branca seria a filha e não a esposa do Presidente”, é revelado no livro.
Entretanto, o Presidente Donald Trump havia já reagido ao conteúdo do “Fogo e Fúria” e aos ataques que lá lhe são feitos pelo seu ex-assessor e conselheiro.
Num comunicado divulgado pela Casa Branca, Donald Trump acusou Steve Bannon de ter “ficado doido depois de ter perdido o emprego. Durante o tempo que esteve na Casa Branca passou informações para a imprensa, muitas delas falsas, para mostrar uma importância que nunca teve”.
Ainda de acordo com o mesmo comunicado, Donald Trump desmente que Steve Bannon tivesse tido acesso a informação privilegiada sobre as actividades antes e depois da campanha eleitoral. “O Steve raras vezes se reuniu a sós comigo e só finge ter tido influência para enganar umas quantas pessoas sem acesso e sem noção, ajudando-as a escrever livros falsos”, diz ainda a nota da Casa Branca citando Donald Trump.
Por sua vez, Charles Harder, advogado de Donald Trump,  tentou inviabilizar a publicação da obra através de uma carta à editora Henry Holt & Co. e ao autor, exigindo o cancelamento da publicação do que considera serem acusações difamatórias contra o Presidente dos Estados Unidos da América. Uma carta semelhante foi enviada na véspera a Steve Bannon onde o ex-conselheiro de Donald Trump é acusado de difamação.
A editora do livro foi rápida na resposta tendo no mesmo dia antecipado de terça-feira para ontem o lançamento da obra que terá uma tiragem inicial de 300 mil exemplares.


                                                                  Manafort processa procurador Mueller
O ex-director  da campanha eleitoral de Donald Trump, Paul Manafort, processou Robert Mueller, o procurador especial responsável por supervisionar a investigação sobre as alegadas influências da Rússia nas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América, e o procurador Rod Rosenstein, por terem excedido as suas autoridades em termos legais.
De acordo com a estação  CNN, o processo foi interposto na quarta-feira, em Washington, por Paul Manafort e por Rick Gates, um colaborador do primeiro que também participou na campanha presidencial de 2016.
Ambos alegam no processo que Robert Mueller excedeu a sua autoridade ao acusá-los de crimes que nada têm a ver com a campanha presidencial, mas que estão ligados ao “lobbying” que Paul Manafort e Rick Gates realizaram para um Governo pró-russo na Ucrânia e que terminou em 2014.
Na base do processo está o facto de Robert Mueller só estar aparentemente autorizado a investigar o que se passou nas eleições presidenciais, tendo advogados argumentado que o procurador foi além dos limites legais da sua investigação.
No caso de Rod Rosenstein, vice-procurador-geral que nomeou em Maio Robert Mueller, ex-director do FBI, também é acusado de exceder a sua autoridade “ao dar carta branca a Robert Mueller para investigar e apresentar queixas-crime ligadas a quem quer que seja”.

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