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EUA e Irão trocam acusações de provocar tensão no Golfo

Os Estados Unidos e o Irão trocam acusações de aumentar a tensão no Golfo Pérsico, depois dos incidentes com dois petroleiros que foram atingidos por torpedos no mar de Omã.

Escalada da tensão entre Estados Unidos e Irão no Golfo Pérsico preocupa líderes mundiais
Fotografia: DR

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ontem que os ataques contra os petroleiros, na quinta-feira, “têm a assinatura” do Irão, baseando-se num vídeo divulgado pelo Pentágono.
Em reacção, o Governo iraniano negou responsabilidade no incidente e acusou a Administração Washington de “sabotagem diplomática”.
“O facto dos Estados Unidos aproveitarem imediatamente a oportunidade para lançar alegações contra o Irão, sem provas fundamentadas ou circunstanciais, mostra que Washington e os seus aliados árabes passaram para o plano B: o de sabotagem diplomática”, escreveu na rede social Twitter o chefe da diplomacia iraniana, Mohammad Javad Zarif.
Nas imagens divulgadas pelo Pentágono aparece um barco, alegadamente pertencente à Guarda Revolucionária iraniana, com uma mina que não explodiu e que, segundo Trump, tem a assinatura do Irão.
“Foi o Irão quem o fez (o ataque aos petroleiros)”, concluiu Donald Trump, apesar de o Irão ter negado a responsabilidade pelo ataque.
A Rússia pediu “moderação” e que “não se tire conclusões precipitadas” após os ataques de quinta-feira contra os dois petroleiros no mar de Omã.
“Condenamos veementemente estes ataques qualquer que seja o responsável. Mas é necessário abster-se de tirar conclusões precipitadas”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia em comunicado.
O Ministério considerou “inaceitável acusar quem quer que seja de estar ligado a este incidente antes da conclusão de uma investigação internacional detalhada e imparcial” expressando a sua preocupação com as tensões no mar de Omã.
“Estamos a testemunhar uma escalada artificial de tensões, em grande parte devido às políticas anti-Irão dos Estados Unidos”, referiu a mesma fonte, pedindo “contenção” a todas as partes.
O Governo alemão pediu uma investigação urgente sobre os ataques “extraordinariamente preocupantes” no mar de Omã e a China apelou “ao diálogo”.
A região do Médio Oriente tem vivido no último mês uma escalada das tensões entre os EUA e o Irão.
Washington, que tem endurecido sistematicamente as sanções económicas e diplomáticas contra Teerão após sair de um acordo internacional de 2015 sobre o nuclear iraniano, multiplicou no início de Maio as suas tropas no Médio Oriente, acusando o regime iraniano de preparar ataques “iminentes” contra interesses americanos.

Tripulação de navio diz
ter visto objecto no ar

A tripulação a bordo do petroleiro japonês que foi alvo de ataque na quinta-feira no mar de Omã, em pleno Golfo, disse ter visto “um objecto no ar” em direcção ao navio, segundo relato do comandante.
“Os marinheiros dizem que o barco foi atingido por um objecto voador, eles viram com seus próprios olhos”, disse Yutaka Katada, CEO da Kokuka Sangyo, acrescentando ter recebido um relatório “de que algo tinha voado para o navio e que depois ocorreu uma explosão.
Katada disse na quinta-feira que o navio, que transportava metanol, aparentemente sofreu dois ataques sucessivos.
Após o primeiro, “os marinheiros manobraram para tentar fugir, mas o barco foi novamente alvejado três horas depois”, descreveu.

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