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EUA insistem num cessar-fogo imediato

O chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, insistiu, terça-feira, com o Governo da Líbia, para a ne-cessidade de um cessar-fogo, num momento em que as forças governamentais estão a conseguir repelir a ofensiva do marechal Khalifa Haftar.

ONU preocupada com violação do embargo de armas à Líbia
Fotografia: DR


Segundo a Reuters, num telefonema para o Primeiro-Ministro do Governo líbio dirigido por Fayez al-Sarraj, o secretário de Estado norte-americano “reiterou a oposição dos Estados Unidos ao fluxo persistente de armas e munições que chegam ao país”, de acordo com um comunicado de imprensa da diplomacia norte-americana. Pompeo e Fayez al-Sarraj “sublinharam a importância de um fim imediato dos combates e um retorno ao diálogo político”.

Recentemente, as Forças Armadas dos Estados Unidos acusaram a Rússia de fazer deslocar aviões de caça para a Líbia destinados a apoiar os mercenários que combatem no terreno ao lado do marechal Khalifa Haftar.

“A Rússia tenta claramente fazer pender a balança a seu favor na Líbia. À semelhança do que fez na Síria, intensifica o envolvimento militar em África utilizando grupos de mercenários apoiados pelo Estado como o grupo Wagner”, referiu em comunicado o general Stephen Townsend, comandante das forças norte-americanas em África, a partir do quartel-general sediado em Estugarda, na Alemanha.

Os aviões de combate russos de quarta geração “chegaram à Líbia a partir de uma base aérea russa após terem transitado pela Síria, onde pensamos que terão sido pintados de novo para dissimular a sua origem russa”, indicou o comando africano do Exército norte-americano, que também pretende denunciar uma violação do embargo da ONU às armas no país assolado por uma guerra civil e as promessas de não intervenção num conflito interno.

“Observámos todas as etapas da deslocação dos aviões de caça russos na Líbia”, acrescentou, sublinhando que provavelmente se destinam a “conceder ao grupo Wagner um apoio aéreo próximo e disparos ofensivos”. />
As autoridades russas negaram estar a intervir no conflito líbio, reafirmando a posição de apelo para a paragem das hostilidades e a criação de mecanismos que possibilitem uma negociação entre as partes envolvidas.

Em Abril de 2019, as forças do marechal Haftar, homem forte do leste da Líbia, lançaram uma ofensiva para conquistar Tripoli, a capital e sede do Governo de União Nacional, em plena luta pelo poder na-quele país petrolífero mergulhado no caos desde o derrube e assassinato do Presidente Muammar Kadhafi, em 2011.

Ao longo dos meses, as interferências estrangeiras exacerbaram o conflito ar-mado, com os Emirados Árabes Unidos e a Rússia a apoiar o campo de Haftar e a Turquia o do Governo.

Com o aumento do apoio turco, as forças pró-governamentais têm alcançado progressos militares nas últimas semanas.
Os Estados Unidos apoiam oficialmente o Governo de Fayez al-Sarraj, mas esta posição é confusa pelo passado, especialmente pelos elogios do Presidente norte-americano, Donald Trump, ao marechal Haftar, em Abril de 2019.

Denúncias da ONU

Pelo menos 17 ataques foram registados desde Janeiro contra estabelecimentos hospitalares na capital da Líbia, Tripoli, e arredores, onde há mais de um ano decorrem combates entre forças rivais, indicou ontem a missão da ONU na Líbia (Manul), segundo a BBC. Em Abril de 2019, o marechal Khalifa Haftar, o homem forte do leste líbio, desencadeou uma ofensiva em direcção à capital onde se encontra sediado o Governo de Acordo Nacional (GAN).

Os dois campos disputam o poder desde o assassinato de Muammar Kadhafi, em 2011, na sequência de uma intervenção militar da NATO.
“Desde o início do ano ocorreram 17 ataques e bombardeamentos contra estabelecimentos de saúde na Líbia. Estes ataques prosseguem”, indicou em comunicado a Manul.

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