Mundo

EUA prometem manter programas de cooperação

Os Estados Unidos da América (EUA) pretendem continuar a apoiar o continente africano na promoção da paz e segurança, garantiu na quinta-feira o secretário de Estado norte-americano adjunto para os Assuntos Africanos, Donald Yamamoto, ao comissário para a Paz e Segurança da União Africana, Smail Chergui.

Donald Yamamoto garante que Washington está pronta a estreitar a cooperação
Fotografia: CHIP SOMODEVILLA | AFP


O encontro entre ambos precedeu a reunião de altos responsáveis do Governo dos EUA, iniciada ontem em Washington, capital dos EUA, com ministros de 37 países do continente africano, para “redefinir o grau das relações entre os EUA e a África nos próximos anos”.
Donald Yamamoto garantiu a Smail Chergui que Washington está pronta a estreitar os laços com África. “O nosso relacionamento com a União Africana expandiu-se. A cada administração estamos a assumir mais desafios. E vamos continuar. Isso vai sobressair no trabalho que estamos a fazer no Mali e nos países do G 5, também na Somália, Sudão, nas eleições na RDC, no Quénia, na Libéria e no Zimbabwe”.
O secretário de Estado norte-americano adjunto (equivalente a vice-ministro) para os Assuntos Africanos disse que devem ser mantidos programas para a África implementados por administrações passadas, como o projecto “Power Africa”, que pretende levar energia eléctrica a cerca de 60 milhões de pessoas, uma iniciativa do antigo Presidente Barack Obama, e o Plano de Emergência para o Combate ao VIH/Sida (PEPFAR), do Governo de George W. Bush. Acrescentou que a Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA) não deve ser alterada até 2025.
As estratégias do Governo de Donald Trump para os países em África devem centrar-se, principalmente, nas políticas sociais para a juventude, já que cerca de 70 por cento da população tem menos de 30 anos.
“Estamos a preparar as nossas políticas para trabalhar não só com a União Africana, mas também com os nossos países parceiros, para abordar questões de desemprego, educação, cuidados de saúde e oportunidades para a juventude”, explicou. Sobre a intervenção militar no Zimbabwe e a detenção domiciliar do Presidente Robert Mugabe, assim como o seu afastamento temporário do poder, Donald Yamamoto disse acreditar que a única forma de o país africano evitar sanções é optar por reformas constitucionais.
“Permanecemos comprometidos com o que sempre dissemos ao Governo do Zimbabwe, que é o compromisso de fazer reformas políticas, económicas e constitucionais. É o que permitirá que o Zimbabwe saia da lista de sanções”, adiantou.
Após o encontro com o secretário de Estado norte-americano adjunto para os Assuntos Africanos, Donald Yamamoto, para dar início a mais um debate sobre a cooperação entre os dois lados do Oceano Atlântico, Smail Chergui informou que foram analisadas questões como a paz e a segurança, o comércio e desenvolvimento da agricultura. 
“Penso que tivemos uma compreensão total sobre os desafios e a maneira como os vamos tratar. Penso que os EUA estão totalmente decididos a estar connosco nessas questões”, disse Smail Chergui em entrevista à Deutsche Welle.
O anúncio da manutenção dos programas de cooperação de Washington com o continente-berço da Humanidade  surge numa altura em que também o Parlamento Europeu (PE) defendeu o reforço da parceria entre a União Europeia (UE) e o continente africano, em vésperas da próxima cimeira UE-África que se realiza entre os dias 29 e 30 deste mês, em Abidjan, capital económica da Costa do Marfim. Num relatório aprovado em plenário por 419 votos a favor, 97 contra e 85 abstenções, os eurodeputados propõem várias medidas para reforçar a parceria entre a UE e África, fazendo da resiliência política, económica, ambiental, social e no domínio da segurança um pilar essencial da nova estratégia entre os dois blocos.

Tempo

Multimédia