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Cinco candidatos assumem a sucessão de Theresa May

O ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock juntou-se hoje a Boris Johnson, Esther McVey, Jeremy Hunt e Rory Stewart na disputa pela liderança do Partido Conservador, que lhe dá o lugar de Primeiro-Ministro.

Fotografia: DR

"Sim. Vou candidatar-me para ser o próximo Primeiro-Ministro", garantiu Hancock na manhã de hoje em declarações à BBC, citado pelo jornal "The Guardian". O governante prometeu ser "um servidor do Parlamento" na concretização de um acordo para o "Brexit" - uma questão que acabou por destruir a liderança de May.
Hancock, 40 anos, junta-se a uma longa lista de conservadores que possivelmente avançarão para a disputa da liderança do partido - e, consequentemente, do país.
À espreita da sua oportunidade está Boris Johnson, 54 anos, há muito apontado para a liderança do Partido Conservador. O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico e antigo presidente da Câmara de Londres foi um dos rostos da campanha pelo "Brexit" e já ameaçou com um "no deal": "Saímos da UE a 31 de Outubro, com ou sem acordo."
Já a deputada Esther McVey, 51 anos, e que deixou a pasta do Trabalho no ano passado, é uma assumida eurocéptica e uma das interessadas em suceder a Theresa May, com quem mantinha uma divergência na estratégia a seguir para o "Brexit". Na última semana propôs uma "agenda radical" para atrair o voto da classe trabalhadora, defendendo cortes à despesa para a cooperação internacional para investir em escolas e na Polícia do país.
O actual chefe da diplomacia britânica, Jeremy Hunt, 52 anos, era, tal como May, um defensor do "Remain" (permanecer na União Europeia), tendo até chegado a defender um novo referendo sobre o acordo de "Brexit". Uma ideia que agora rejeita, indo até mais longe, afirmando - tal como o seu antecessor nos Negócios Estrangeiros - que pode haver uma saída sem acordo em cima da mesa.
Rory Stewart, 46 anos, é outro governante que se candidata. O responsável pela pasta do Desenvolvimento Internacional já disse que não poderá servir num Governo liderado por Boris Johnson. E sugeriu que Johnson o enganou sobre um "Brexit" sem acordo.
Theresa May, de 62 anos, recebeu de David Cameron o presente envenenado do "Brexit" em 2016. Sobreviveu a umas eleições antecipadas, a duas moções de censura, uma dos deputados do seu partido e outra do Trabalhista, a três chumbos do acordo do "Brexit" com a UE e a todo o tipo de críticas, acusações e piadas. A pressão tornou-se insuportável e na sexta-feira anunciou a demissão em frente ao N.º 10 de Downing Street.
Quase três décadas depois a história repete-se no Reino Unido. Uma mulher Primeira-Ministra, minada pelo seu próprio partido, o Conservador, por causa de divergências relacionadas com a União Europeia, anuncia a demissão da liderança dessa formação política e, consequentemente, da chefia do Governo britânico.
"Vou deixar em breve o cargo que tive a maior honra da minha vida em desempenhar. Fui a segunda mulher Primeira-Ministra mas não serei certamente a última. Saio sem ressentimento. Saio com uma enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo", declarou, na altura, Theresa May, que deixará o cargo a 7 de Junho (depois de receber o Presidente dos EUA, Donald Trump, em Londres, entre 3 e 5 de Junho).
O dia 24 de Maio de 2019, transporta o mundo para o dia 22 de Novembro de 1990. Nessa data, Margaret Thatcher informou a Rainha e a Câmara dos Comuns da decisão de deixar de ser líder dos conservadores e do Governo britânico, abandonando o N.º 10 de Downing Street.

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