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Reino Unido: Conservadores impõem regras para sucessor de May

O partido Conservador britânico aprovou no passado dia 4 do mês em curso alterações aos regulamentos para a eleição interna do líder com o objectivo de acelerar o processo, iniciado após a demissão de Theresa May. Cada candidato, que terá necessariamente de ser deputado, precisa do apoio expresso de oito colegas, em vez de apenas dois, para ser elegível.

Ex-autarca de Londres e antigo chefe da diplomacia, Boris Johnson, concorre à liderança
Fotografia: DR

Determina também que os aspirantes precisam de um mínimo de votos para passar à fase seguinte, senão são imediatamente eliminados. Estas alterações foram introduzidas devido ao elevado número de concorrentes declarados, 13 até à desistência no dia 4 de James Cleverley e Kit Malthouse devido à baixa probabilidade de sucesso.

O prazo para oficializar a candidatura termina amanhã às 17h00 (mesma hora em Angola), e na quinta-feira realiza-se a primeira votação entre os 313 membros do grupo parlamentar do partido Conservador. Uma série de votações, feitas de forma secreta, nos dias 18, 19 e 20 de Junho, pretendem eliminar progressivamente os candidatos, que deverão participar em debates televisivos.

As novas regras impõem que os candidatos tenham o voto de pelo menos cinco por cento do grupo, equivalente a 17 deputados para passar à segunda volta, e de 10 por cento, ou 33 votos, para se qualificarem para a terceira volta. Caso todos atinjam este mínimo, aquele com menos votos será eliminado e assim sucessivamente, até restarem apenas dois nomes.

Os dois finalistas serão sujeitos a um escrutínio mais alargado, aberto a todos os cerca de 160 mil filiados no partido, incluindo encontros em diferentes partes do país com militantes para responderem a perguntas. Segundo o partido Conservador, o vencedor será anunciado na quarta semana de Julho.

Theresa May formalizou sexta-feira 7 a demissão, anunciada em Maio, de líder do partido Conservador, mas mantém-se em funções até ser encontrado um sucessor.

Theresa May apresentou já a carta de demissão à rainha, que deve nomear como Primeiro-Ministro o novo líder do partido actualmente no Governo.

Visões para o Brexit

A eleição para a liderança do partido Conservador vai determinar um novo Primeiro-Ministro, que deverá definir um novo rumo para o país e, sobretudo, para o processo de saída da União Europeia (“Brexit”). O elevado número de candidatos reflecte a pluralidade e divergência de opiniões dentro do partido sobre a principal política na agenda, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

Eis a lista actual dos candidatos declarados e as respectivas posições sobre o 'Brexit', ilustradas com uma afirmação feita em textos de apresentação, entrevistas ou debates públicos:

Boris Johnson, 54 anos

Conhecido por 'Bojo', foi uma das principais figuras da campanha pelo “Brexit”. Promete uma saída a 31 de Outubro, com ou sem acordo.

“Existe uma escolha real entre implementar o Brexit ou a potencial extinção deste partido. Eu acredito que sou o mais bem colocado para levantar este partido, vencer Jeremy Corbyn e colocar Nigel Farage de novo na caixa”.

Jeremy Hunt, 52 anos

Fez campanha pela permanência na UE, mas converteu-se ao “Brexit”. O actual ministro dos Negócios Estrangeiros recebeu um impulso importante, ao ser elogiado pelo Presidente dos EUA, Donald Trump. Favorece uma saída com um acordo, porque receia que o Parlamento derrube o Governo. “Tentar implementar uma saída sem acordo através de eleições legislativas não é uma solução: é um suicídio político”.

Michael Gove, 51 anos

Recordado pela traição a Boris Johnson na corrida à liderança em 2016, o ministro do Ambiente é um 'brexiter' disposto a procurar um entendimento. Não exclui um novo adiamento da saída. “Se estivermos a fazer progressos e estivermos à beira de um acordo, e se tivermos um bom Conselho da UE em Outubro e estivermos com 99 por cento feito no Dia das Bruxas, estamos realmente a dizer que não aceitaríamos um pouco mais de tempo para fechar o acordo?”.

Dominic Raab, 45 anos

O antigo ministro para o 'Brexit' quer um corte drástico com a UE. Quer que Bruxelas aceite alterações à solução para a Irlanda do Norte, senão está preparado para uma saída sem acordo. “O objectivo final para a nossa relação futura deve centrar-se no melhor acordo de comércio livre (como o acordo UE-Canadá), não uma união aduaneira ou qualquer outro mecanismo híbrido que exija um alinhamento regulatório estreito”.

Sajid Javid, 49 anos

Foi eurocéptico, fez campanha pela permanência, mas agora defende o “Brexit”. O ministro do Interior quer uma renegociação do capítulo sobre a Irlanda do Norte para incluir alternativas à solução designada por 'backstop', incluindo meios electrónicos. “Se não conseguirmos um acordo, devemos, com grande desgosto, sair sem um, tendo feito tudo o que pudermos para minimizar a ruptura”.

Andrea Leadsom, 56 anos

Foi finalista em 2016, mas retirou-se da corrida a favor de Theresa May. A antiga ministra dos Assuntos Parlamentares está resignada à recusa da UE para renegociar, por isso entende que o país deve preparar-se para sair sem acordo a 31 de Outubro. O plano dela é uma “saída controlada” graças a acordos bilaterais recíprocos em áreas específicas.

“Como Primeira-Ministra, não defenderei uma extensão de qualquer tipo, e ficará claro que, em qualquer circunstância, o Reino Unido sairá da UE no final de Outubro. Com medidas abrangentes, estaremos preparados para qualquer eventualidade”.

Rory Stewart, 46 anos

Chamou a atenção com vídeos em modo 'selfie' a convidar ao debate em diferentes partes do país. Tem a ideia mais original para tirar o “Brexit” do impasse: formar uma assembleia de 500 cidadãos britânicos para trabalhar sete dias por semana até encontrar um consenso que o Parlamento teria de aceitar.“Um Brexit sem acordo seria prejudicial, profundamente polarizador e muito difícil de passar pelo Parlamento”.

Matt Hancock, 40 anos

O actual ministro da Saúde foi o primeiro deputado britânico a lançar uma aplicação pessoal para telemóvel. Defende um “Brexit” negociado, pois forçar uma saída afastaria ainda mais eleitores moderados que votaram pela permanência na UE. “Os eleitores conservadores que apoiaram “Remain” e os eleitores mais jovens que partilham os nossos valores estão a ser sugados pelos Lib Dems em números crescentes. Um renascimento dos Lib Dems ameaça dezenas de lugares conservadores em Inglaterra, abrindo caminho de Jeremy Corbyn para o poder”.

Esther McVey, 51 anos

Antiga apresentadora de televisão, foi ministra do Trabalho, mas demitiu-se em desacordo com a estratégia de Theresa May para o “Brexit”. Defende uma saída sem acordo.

“Precisamos parar de perder tempo com debates artificiais sobre a renegociação de 'backstops' ou a ressurreição de acordos fracassados. A única maneira de implementar o resultado do referendo é assumir activamente a saída da UE sem um acordo”.

Sam Gyimah, 42 anos

O antigo secretário de Estado das Universidades é o único que defende um novo referendo. O boletim teria três opções: saída sem acordo, o acordo negociado pelo Governo ou ficar na UE.“O Parlamento está num beco sem saída, todos sabemos disso, queremos avançar e queremos ser capazes de unir o país. E é por isso que eu acho que uma última palavra sobre o acordo para o 'Brexit' é a solução.”

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