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Ex-Conselheiro da Casa Branca diz que Trump governa por cálculo eleitoral

O ex-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca John Bolton acusa o Presidente Donald Trump de ter tomado várias decisões passíveis de 'impeachment', porque apenas pensa na sua reeleição.

Ex-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca John Bolton
Fotografia: DR

Num livro que será lançado no próximo dia 23 e que foi hoje anunciado pela sua editora, Bolton diz que não é apenas o caso ucraniano que está repleto de decisões que podem levar à destituição do Presidente, tudo porque Trump está a obcecado com a sua reeleição para um segundo mandato.

"Tenho dificuldade em encontrar uma única decisão importante de Trump, enquanto exerci funções (na Casa Branca), que não tenha sido guiada por um cálculo de reeleição", escreveu Bolton, no seu livro de memórias, recordando o tempo em que ocupou, por 519 dias, uma posição estratégica na política de segurança dos EUA, entre Abril de 2018 e Setembro de 2019.

De acordo com a editora Simon & Schuster, que divulgou hoje um pequeno extracto da obra, John Bolton evoca o "caos na Casa Branca", "o processo de tomada de decisão incoerente e desarticulado do Presidente e o seu comportamento junto dos aliados, tratados como com inimigos, da China à Rússia, passando pela Ucrânia, Coreia do Norte, Irão, Reino Unido, França e Alemanha".

"O que Bolton observou surpreendeu-o: um Presidente para quem a reeleição é a única coisa que importa, mesmo que isso signifique ameaçar ou enfraquecer a nação", explica a nota da editora. John Bolton trata com profundidade o chamado caso ucraniano, em que Trump pediu ao Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, para investigar a família do seu rival e ex-vice-Presidente Joe Biden, o que levou a um processo de 'impeachment' no Congresso, de que a maioria republicana no Senado acabou por o absolver.

<\/scr"+"ipt>"); //]]>--> justify;">"As transgressões de Trump, em casos como o da Ucrânia, existem em todos os seus registos de política externa, e Bolton revela os pormenores", explica a editora Simon & Schuster, referindo-se ao teor do livro. Bolton demitiu-se da Casa Branca, em Setembro de 2019, depois de ter entrado em rota de colisão com o Presidente, após uma sucessão de divergências de opinião em matérias sensíveis como o conflito com o Irão e as relações diplomáticas com o Coreia do Norte.

O livro, intitulado "O quarto onde tudo aconteceu - um livro de memórias da Casa Branca", já tinha sido envolvido na vida política norte-americana, quando extractos da obra apareceram na imprensa, em Janeiro, quando decorria o processo de destituição de Donald Trump. De acordo com esses trechos, John Bolton relata uma conversa, em Agosto passado, durante a qual Donald Trump lhe explicou que não queria desbloquear a ajuda à Ucrânia, até que Zelenskiy investigasse Joe Biden.

Nessa altura, a Casa Branca lançou uma ofensiva legal para impedir que o ex-conselheiro publicasse certas passagens do livro. "Este é o livro que Donald Trump não quer que você leia", anuncia a editora, no início do seu comunicado de imprensa, assegurando, apesar de tudo, que Bolton cooperou com a presidência para alterar seu manuscrito inicial, levando em conta as suas "preocupações".

A Simon & Schuster invoca "o direito do embaixador Bolton de contar a história da sua passagem pela Casa Branca de Trump, de acordo com a Primeira Emenda" da Constituição Americana, que consagra a liberdade de expressão.

 

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