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Ex-Presidente do Egipto morre em tribunal

O ex-Presidente do Egipto e líder da Irmandade Muçulmana no país, Mohammed Morsi, morreu ontem em tribunal, noticiou a televisão estatal. Mohammed Morsi, de 67 anos, foi o primeiro Presidente eleito democraticamente depois da queda de Hosni Mubarak, na sequência dos protestos da Primavera Árabe.

Fotografia: DR

 Morsi foi condenado à morte em 2015, mas a sentença foi revogada por um tribunal superior em 2016.
Em 22 de Outubro de 2016 o tribunal confirmou a pena de 20 anos de prisão contra Morsi pelo uso de violência e pela morte de manifestantes durante os distúrbios de Dezembro de 2012 frente ao palácio presidencial de Itihadiya, na capital egípcia, durante os primeiros grandes protestos populares contra o político islamita.
A Irmandade Muçulmana é alvo de uma intensa acção policial e judiciária desde que o ex-Presidente foi deposto num golpe militar liderado pelo actual presidente, Abdel Fatah al-Sisi, em Julho de 2013, um ano depois de o islamita chegar ao poder.
De acordo com a BBC, Morsi estava agora a ser julgado num novo processo por crimes de espionagem.
Segundo a televisão estatal egípcia, Morsi morreu enquan-to falava com o Presidente do Tribunal. Não são conhecidas as causas da morte.
De acordo com o filho, Ahmed Morsi, o antigo Presidente estaria a enfrentar vários problemas de saúde que foram “ignorados” pelas autoridades egípcias. “Surgiram muitos relatos recentemente sobre a deterioração grave do estado de saúde do meu pai”, declarou Ahmed à agência turca Anadolu na semana passada.

Da prisão para a Presidência
A carreira política de Mohammed Morsi começou em 2000, quando foi eleito para o Parlamento. Uma vez que a Irmandade Muçulmana era uma organização proscrita no Egipto, candidatou-se oficialmente como independente. Serviu no Parlamento como deputado até 2005.
Membro activo da Irmandade, uma organização que nasceu no Egipto e tem servido de inspiração para incontáveis organizações jihadistas e fundamentalistas islâmicas, foi detido em Janeiro de 2011, no auge dos protestos contra o regime de Mubarak, na Primavera Árabe.
Apenas dois dias mais tarde, Morsi e mais de uma centena de outros detidos foram libertados da prisão por um bando de homens armados. Menos de quinze dias mais tarde Hosni Mubarak foi oficialmente deposto.
Morsi tomou parte activa na reorganização política do Egipto e foi eleito Presidente do país em 2012, com pouco mais de 50 por cento dos votos.
A sua deposição pelos militares, em 30 de Junho de 2013, deu-se depois de protestos contra a islamização do país e das instituições em que participaram milhões de pessoas.
Os apoiantes de Morsi e da Irmandade não se conformaram e desenvolveram diversas acções de protesto e reivindicação.

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