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Ex-Primeiro-Ministro lança “farpas” ao Governo

O ex-Primeiro-Ministro de Cabo Verde, José Maria Neves, alertou num artigo de opinião para as consequências que o país enfrenta se insistir no endividamento público como forma de impulsionar a economia.

Ex-líder do PAICV lança alerta para os perigos que decorrem do endividamento público
Fotografia: DR

“O caminho que se está a seguir, de mobilização de avultados recursos internos pela via de endividamento público para dar garantias a grandes empréstimos privados é sedutor a curto prazo, mas pode trazer consequências muito nefastas para a economia e as finanças públicas do país a longo prazo”, alertou José Maria Neves.
O ex-Primeiro-Ministro (2001 a 2016) e ex-líder do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), de acordo com a Lusa, utilizou a sua conta pessoal na rede social Facebook para lançar uma crítica e um alerta à governação, desde 2016 a cargo do Movimento para Democracia (MpD).
No final de 2018, José Maria Neves deixou em aberto a possibilidade de concorrer às próximas eleições presidenciais em Cabo Verde, em 2021.
Neste artigo, o antigo governante refere que “há muitos anos” que existe “dinheiro suficiente para financiamento de empresas em Cabo Verde”, seja pela banca nacional ou ainda através de organizações internacionais, que “sempre disponibilizaram milhões de contos para financiar projectos públicos e privados.”
No entanto, sublinha, o “grande constrangimento refere-se à dimensão do mercado e ao ambiente de negócios” em Cabo Verde, além do “excesso de burocracia” e dos “custos elevados e ineficiências dos transportes, da água e da electricidade”, juntamente com a “escassez de recursos humanos qualificados em áreas sensíveis para os negócios” e as taxas de juro “incomportáveis.”
“Diga-se em abono da verdade que estes são constrangimentos comuns aos pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Todos estão confrontados com a reduzida capacidade de auto-financiamento e de endividamento, elevadas taxas de juro e dívida e défices também elevados”, recorda.
Acrescenta que Cabo Verde precisa actualmente e “mais do que nunca” de “radicais e profundas reformas estruturais nos domínios do Estado e da administração pública, da educação, ensino superior e formação profissional, dos transportes e infra-estruturas” e a nível do financiamento das micro, pequenas e médias empresas. “Mas uma dinâmica transformadora dessa envergadura demanda acima de tudo visão partilhada de longo prazo, liderança inspiradora e consensos alargados”, sustenta.
Este artigo surge precisamente um dia depois de o vice-Primeiro-Ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, ter afirmado, após uma reunião com o Presidente da República, que a economia cabo-verdiana “respira confiança” e tem a meta de crescer anualmente 7 por cento.

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