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Exército no reduto jihadista

As forças iraquianas iniciaram ontem uma grande ofensiva para recuperar o controlo de Tal Afar, último reduto do grupo “Estado Islâmico” (“EI”) na província de Nínive, Oeste do país, anunciou o primeiro-ministro Haider al-Abadi.

Tropas iraquianas avançam com uma operação em Ninive quando o governo faz ultimato de rendição aos rebeldes
Fotografia: Haidar Mohammed Ali | AFP

Em declaração à televisão, Haider al-Abadi, que estava vestido com uniforme militar, anunciou “o começo da operação de libertação de Tal Afar”.
“Digo aos homens do ‘Estado Islâmico’ que não têm outra escolha que não renderem-se ou serem mortos”, afirmou.
Haider al-Abadi informou que além das diferentes unidades do Exército, da Polícia federal e local, e das unidades anti-terroristas, também participam nas operações as brigadas Hachd Al Shaabi, as unidades de mobilização popular e uma organização paramilitar dominada por milícias xiitas apoiadas pelo Irão, que já participaram em outras batalhas de retomada de cidades iraquianas.
Tal Afar está situada 70 km a Oeste de Mossul, a segunda cidade do Iraque, de onde as forças governamentais, apoiadas pelos Estados Unidos da América (EUA) expulsaram os “jihadistas” em Julho, após uma ofensiva de mais de nove meses caracterizada por um elevado grau de destruição.
O “Estado Islâmico” apoderou-se de Mossul no Verão de 2014, quando assumiu o controlo da maior parte do Norte e Oeste do Iraque.
O grupo declarou um califado e governou de acordo com uma estrita interpretação da lei islâmica e uma atitude implacável face aos seus opositores. No entanto, dois dias após a libertação de Mossul, o comandante da coligação liderada pelos EUA no Iraque e Síria, general Stephen Townsend, afirmou que a batalha não estava terminada e admitiu uma pausa para reagrupamento antes de desencadear uma nova ofensiva contra o “EI” em Tal Afar e outros bastiões que permanecem sob controlo do grupo extremista no Oeste do Iraque.
Um membro da administração de Tal Afar disse à agência EFE que cerca de 10 mil famílias permanecem cercadas no interior da cidade, enquanto que outras 50 mil residem nos arredores, temendo-se, por isso, que sejam usadas como escudos humanos pelos terroristas. A ONU garante que se prepara para ajudar os milhares de civis que podem ser afectados pela campanha militar para expulsar o “EI” de Tal Afar. Antes do conflito armado, a localidade tinha aproximadamente 250 mil habitantes.

Reunião sobre Síria


O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reúne-se na quarta-feira com o Presidente russo, Vladimir Putin, em Sochi, às margens do Mar Negro, para falar sobre a situação na Síria, anunciou o Governo de Telavive. Os dois dirigentes “vão falar dos últimos acontecimentos na região”, acrescentou o gabinete de Benjamin Netanyahu, após recordar que ambos se reuniram em várias ocasiões nos últimos anos “para evitar incidentes entre aviões de combate israelitas e russos na Síria”.
A esse respeito, o Governo israelita realçou que os acordos concluídos durante estas discussões permitiram evitar “até agora” confrontos entre as duas forças.
Durante os últimos cinco anos, a aviação israelita bombardeou uma centena de vezes colunas de camiões com armamento destinado ao Hezbollah e outros grupos armados na Síria, declarou na quinta-feira o general Amir Eshel, comandante da Força Aérea israelita.
Desde o início da guerra na Síria, em 2011, Israel acompanha com atenção especial o desenvolvimento da situação no país vizinho, sem se deixar arrastar para o conflito, mas reservando-se o direito de bombardear pontualmente as colunas de camiões destinadas ao Hezbollah libanês ou posições das forças regulares sírias. O embaixador israelita em Moscovo havia sido convocado ao Ministério russo dos Negócios Estrangeiros para dar explicações sobre os ataques aéreos israelitas contra alvos apontados como vinculados ao Hezbollah libanês, aliado do Governo do Presidente sírio, Bashar Al Assad.
O Exército do Líbano anunciou sábado o início de uma ofensiva contra o “Estado Islâmico” (“EI”) na fronteira com a Síria, segundo uma fonte de segurança do país. De acordo com a fonte, as Forças Armadas planeiam atacar as posições do “EI” nas proximidades de Ras Baalbek. O comandante do Exército libanês, Joseph Aoun, confirmou o início da ofensiva contra o “EI” ao jornal “Daily Star”.
Nas últimas duas semanas, o Exército tem realizado ataques de artilharia mais intensos contra as posições dos terroristas. Especialistas militares disseram que as acções preparam uma operação de grande escala para libertar todo o território do Líbano. O Governo aprovou na terça-feira as recomendações referentes aos preparativos da operação militar e anunciou a intenção de livrar o país do terrorismo.
As acções acontecem numa altura em que também o exérito sírio e o Hezbollah combatem o “EI”.

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