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Festa de um ano de posse tem orçamento milionário

As autoridades da República Democrática do Congo (RDC) anunciaram ontem que as celebrações do primeiro ano de mandato do Presidente, Félix Tshisekedi, irão custar seis milhões de dólares, uma verba que, segundo a AFP, tem motivado críticas da oposição.

Celebrações do primeiro ano de mandato de Tshisekedi têm gastos avultados, diz oposição
Fotografia: DR

A 24 de Janeiro, a RDC “comemora o ano da mudança democrática e pacífica do poder no nosso país”, anunciou André Kabanda Kana, porta-voz da Presidência, numa cerimónia oficial.“O Governo estabeleceu um orçamento de seis milhões de dólares para as festividades”, disse à imprensa, acrescentando que “o erário público e os patrocinadores” vão financiar essa verba.
Esta decisão tem sido criticada por vários sectores da sociedade. “Isto é totalmente incongruente. Isto é uma má gestão frenética dos recursos públicos e um desprezo aberto pelo sofrimento da população”, disse Olivier Kamitatu, porta-voz do opositor Moïse Katumbi.
Por sua vez, o ex-Primeiro-Ministro Adolphe Muzito afirmou que a iniciativa “é uma comédia, uma loucura.”
“Se eles querem provar a todo o custo que houve uma alternância, é porque, lá no fundo, eles sabem que não houve tal coisa”, reagiu o ex-candidato presidencial Seth Kikuni. Na presença de vários membros do Governo, o porta-voz presidencial explicou que Chefes de Estado da região, assim como amigos do Presidente Tshisekedi e do seu antecessor Joseph Kabila serão convidados para o evento.
Antigo adversário de Kabila, Tshisekedi foi proclamado vencedor das eleições presidenciais de 30 de Dezembro de 2018 e tomou posse a 24 de Janeiro, num acordo de coligação com o seu antecessor, cujos apoiantes na Frente Comum do Congo (FCC) têm a maioria dos lugares na Assembleia Nacional, no Senado e nas assembleias provinciais. A RDC possui uma população estimada em 80 milhões de habitantes.

ONU fica mais um ano

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou, ontem, uma prorrogação de um ano da sua missão de paz na República Democrática do Congo (Monusco), que vê diminuir o número de militares e aumentar o de elementos policiais, revelou a AFP.
Elaborada pela França, a resolução, que menciona sem grande pormenor a necessidade de uma estratégia de saída para o país, foi aprovada por unanimidade pelos 15 membros do Conselho.A redução do número de tropas participantes na Monusco continua modesta, tendo em conta as tropas efectivamente destacadas hoje (15.900). O Conselho de Segurança decidiu baixar o limite máximo autorizado de 16.875 soldados para 14.660.
É sobretudo um “sinal político”, explicou um diplomata citado pela France Press, para sublinhar que foram tidas em consideração as mudanças ocorridas no país com a instalação de um novo poder e a melhoria da segurança numa grande parte do território da RDC.
A componente policial da missão da ONU vai ganhar, temporariamente, 360 funcionários adicionais.
No texto, o Conselho de Segurança “convida o Secretariado da ONU a considerar uma futura redução do número de tropas da Monusco destacadas, à luz dos desenvolvimentos no terreno, particularmente em áreas onde a ameaça representada pelos grupos armados já não é significativa.
O documento pede que se “tome nota do recente estudo estratégico independente”, que prevê “um mínimo absoluto de três anos” para uma futura retirada da Monusco.
Há unanimidade no Conselho para dizer “vamos ser cautelosos”, observa a ONU, uma abordagem compartilhada pelo novo Presidente, Félix Tshisekedi.

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