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Força Aérea de Tripoli alveja objectivos militares de Haftar

A Força Aérea líbia efectuou dois bombardeamentos contra veículos e munições das milícias do marechal Khalifa Haftar na base aérea de Al-Wattia, a oeste de Tripoli, anunciaram, ontem, em comunicado, as autoridades governamentais na página oficial do Facebook, noticiou a Reuters.

Fotografia: DR

O comunicado acrescenta que “a artilharia pesada alvejou com precisão um agrupamento de milícias de Haftar em al-Machrou, no sul de Tripoli, e destruiu cinco veículos armados”.
As forças do Governo líbio confirmaram, também, que um grupo de milícias de Haftar havia sido duramente alvejado em Wadi Al-Rabi, no sul da capital do país. O ataque teve como alvo um armazém de munições e um grupo de milicianos em Wadi Al-Rabi, precisou o comunicado sem mais detalhes.
Desde 4 de Abril de 2019, que a milícia de Haftar, apoi-ada por países regionais e europeus, realiza ataques visando tomar a capital, Tripoli, sede do Governo.
Embora tenha aceite a trégua humanitária para fazer face à pandemia do coronavírus, o líder do Leste da Líbia prosseguiu o ataque, forçando o Governo líbio a lançar uma operação militar baptizada de “Tempestade da Paz”.
Nos últimos dias, as forças governamentais infligiram pesadas derrotas às milícias de Haftar no quadro desta operação, incluindo a perda de cidades da costa Oeste da Líbia, na fronteira com a Tunísia.
No fim-de-semana, a Rússia defendeu que a única solução para o conflito líbio é a via política e diplomática, depois de o marechal Khalifa Haftar ter anunciado que estava disposto a assumir o controlo político da Líbia.
“Moscovo está convencido de que a única solução possível na Líbia é a via da comunicação política e diplomática entre todas as partes do conflito”, indicou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov citado pela Reuters.
Haftar, líder do Executivo não reconhecido no Leste da Líbia, anunciou que o Conselho Militar a que preside se dispõe a assumir o controlo político do país e nesse sentido retira-se do acordo, patrocinado pela ONU em 2015 e assinado na cidade marroquina de Skhirat, que estabeleceu o Governo do Acordo Nacional (GAN), sediado em Tripoli e dirigido por Fayez al-Sarraj. Peskov disse que a Rússia continua em contacto com todas as partes do processo de reconciliação líbio.

Refugiados à deriva
Três embarcações com refugiados e emigrantes a bordo desembarcaram, nos últimos três dias, na ilha italiana de Lampedusa, tendo um bote sido socorrido por um navio da Marinha Mercante que aguarda instruções da Itália ou de Malta. As boas condições meteorológicas que se fizeram sentir favoreceram a saída de barcaças procedentes da Líbia, mas a ausência de navios humanitários assim como a decisão da Itália e de Malta de encerrar os portos por causa da pandemia da Covid-19 estão a gerar situações complicadas.
Na segunda-feira, uma barcaça com 44 pessoas, provenientes do Norte de África, chegou à ilha de Lampedusa. Poucas horas antes, 67 pessoas foram resgatadas a 12 milhas da costa pelas autoridades marítimas italianas. Um outro bote com nove cidadãos da Tunísia, a bordo alcançaram, ontem, as praias da ilha italiana.
Nas últimas 48 horas, o cargueiro “Marina” resgatou uma embarcação precária onde se encontravam 78 ocupantes e espera neste momento instruções para desembarcar os refugiados, provavelmente em Malta. La Valeta encerrou os portos e há quatro dias, 57 migrantes resgatados foram transportados para um navio de turismo que espera soluções da União Europeia.
Nos últimos dias, o jornal italiano “Avvenire” e o norte-americano “New York Times” denunciaram que Malta está a usar uma “frota de embarcações de pesca fantasma” que devolve à Líbia as pessoas interceptadas no Mediterrâneo.
Perante às acusações, o Primeiro-Ministro maltês, Robert Abela, desmentiu a existência de pactos secretos com o Governo de Tripoli, mas admitiu que as pessoas estão a ser transportadas para as praias do Norte de África.

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