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Forças Democráticas Sírias anunciam fim do “califado”

As Forças Democráticas Sírias anunciaram, ontem, que o “califado” do grupo extremista Estado Islâmico (EI) foi totalmente eliminado, após combates em Bagouz, o último reduto 'jihadista' na Síria, na fronteira com o Iraque.

Combates na região de Bagouz acabaram com a expulsão dos “jihadistas” do Estado Islâmico
Fotografia: DR

“Este é um grande momento não apenas para nós, mas para todo o mundo”, disse Kino Gabriel, porta-voz das FDS. “Mas não podemos dizer que o EI está acabado. É verdade que eles estão acabados no terreno como um exército permanente. Mas a ameaça do EI permanece em todo o mundo”, afirmou em declarações citadas pelas agências internacionais.
Bagouz é um pequeno aglomerado de aldeias e fazendas às margens do rio Eufrates, no extremo leste da Síria. Lá, as forças militares encontraram bombas, coletes para ataques suicidas e silenciadores de armas.
Os combates em Bagouz intensificaram-se no início deste ano, à medida que os militantes do EI recuavam diante do avanço das tropas. Já no fim do cerco, os rebeldes estavam confinados a um bairro. Nos últimos quatro meses, pelo menos 40 mil pessoas de várias nacionalidades saíram do último reduto do EI na Síria, sob escolta das FDS. Só neste ano, milhares de civis e combatentes abandonaram a região.
Na cerimónia da tomada de Bagouz, o comando geral das FDS pediu ao Governo liderado pelo Presidente sírio, Bashar al-Assad, que reconheça a administração autónoma dos curdos nas áreas controladas por eles no nordeste do país.
O anúncio de ontem põe fim, na prática, ao califado proclamado em Junho de 2014 pelo líder da facção, Abu Bakr al-Baghdadi cujo paradeiro, do terrorista iraquiano, que já chegou a ser dado como morto, é desconhecido.
Desde o início do avanço da organização terrorista na cidade de Kobani, na fronteira com a Turquia, no início de 2015, combatentes das FDS lutam no norte e no leste da Síria, com ajuda da coligação liderada pelos EUA.
O Estado Islâmico atraiu pessoas de todo o mundo. Um menino indonésio de 11 anos disse que esteve na Síria por quatro anos, levado pelos pais, para se juntar ao grupo terrorista. Eles viviam no Iraque e no leste da Síria e ele usou armas, afirmou o menino.
No auge da expansão do auto-intitulado califado, o EI chegou a controlar, no Iraque e na Síria, uma vasta área.
Cidades importantes, como Mossul, a segunda maior do Iraque, ficaram sob jugo da milícia, que impôs um regime de perseguição a não muçulmanos e outras minorias.
Apesar da perda completa de território da organização, a coligação afirma que o EI ainda representa uma ameaça. “Não podemos dizer que o EI está acabado. É verdade que eles estão acabados no terreno como um exército permanente, Mas a ameaça do EI permanece em todo o mundo”, disse o porta-voz das FDS.
Uma das preocupações é a capacidade do EI de influenciar indivíduos dispostos a praticar atentados no Ocidente, algo difícil de ser combatido.
Ainda que se tenha declarado a rendição militar da organização terrorista, os desafios para garantir a estabilidade da região persistem. Não está claro, por exemplo, quando o Governo dos EUA pretende retirar por completo as suas tropas da Síria, uma promessa de campanha do Presidente Donald Trump.
Há ainda o conflito entre as milícias curdas e a vizinha Turquia, que as considera como um grupo terrorista.

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