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Forças do marechal Haftar apontam para alvos turcos

O autoproclamado Exército Nacional da Líbia (ENL), do marechal Khalifa Haftar, anunciou ontem que a sua força Aérea destruiu um drone turco estacionado no Aeroporto Internacional de Mitiga.

Força do Exército Nacional Líbio (ENL) escolheram empresas turcas para alvos a abter
Fotografia: DR

“Os nossos caças visaram e destruíram uma aeronave turca Bayraktar no momento em que esta descolava”, disse o ENL num comunicado publicado no Facebook. “A aeronave preparava-se para atacar posições das nossas forças armadas”, acrescentou.
Horas antes, o Ministério das Relações Exteriores da Turquia acusara as forças de Haftar de terem prendido seis cidadãos turcos e avisara que o ENL se tornaria um “alvo legítimo” se não fossem libertados imediatamente. O ENL afirmou ter detido dois turcos na cidade petrolífera de Agedábia, no Nordeste da Líbia.
Ancara fornece drones e camiões às forças aliadas do Governo de Fayez al-Sarraj, reconhecido internacionalmente, enquanto Haftar re-cebe o apoio dos Emirados Árabes Unidos e do Egipto. A Turquia diz estar na Líbia para apoiar “a paz e a estabilidade regionais”.
Na semana passada, as forças aliadas do Governo de União Nacional da Líbia recuperaram Gariam, uma cidade estratégica a sul da capital e a principal base avançada do ENL.
Haftar, que acusa Ancara de ter apoiado a operação de recuperação da cidade, ordenou que as suas forças atacassem empresas turcas, proibissem a circulação aérea e prendessem cidadãos turcos na Líbia. A Turquia avisou que estaria pronta para retaliar contra eventuais ataques.
A recuperação da cidade foi anunciada depois de o porta-voz das forças leais a Haftar ter acusado “células adormecidas” de permitirem que as forças governamentais entrassem numa parte de Gariam.
Testemunhas no local contaram que as tropas aliadas do Governo tinham tomado a principal “sala de operações” do Exército de Haftar naquela cidade, bem como veículos e outros equipamentos.
Gariam alberga hospitais de campanha do ENL que montou uma base para helicópteros no exterior da cidade. É também através dela que chegam as provisões a partir do Leste do país controlado pelo general.
Haftar tomou Gariam a 2 de Abril e dois dias mais tarde lançou uma ofensiva sobre a capital líbia. A batalha por Tripoli já matou mais de 650 pessoas, entre militares e civis, e provocou mais de 94 mil deslocados, segundo a Organização Mundial de Saúde.
O general é um antigo oficial que serviu Muammar Kadhafi antes de se exilar e voltar mais tarde como “senhor da guerra” no Leste líbio. Em turbulência desde a deposição e morte de Kadhafi, em 2011, o país tem, pelo menos, duas administrações rivais: um Governo estabelecido na capital, chefiado por Al-Sarraj, e outro na cidade oriental de Tobruque, alinhado com Haftar.

Milhares de migrantes repatriados
A Organização Internacional das Migrações (OIM) anunciou ter repatriado mais de cinco mil migrantes da Líbia para países da Ásia e da África nos primeiros seis meses de 2019, como parte do programa “Regresso Voluntário”. “Até agora, mais de cinco mil migrantes da Líbia puderam regressar com segurança a 30 países da África e da Ásia através do Programa Voluntário de Assistência Humanitária ao Regresso”, indicou o gabinete da OIM na Líbia na rede social Facebook, de acordo com a Reuters.
Mais de 16 mil migrantes foram repatriados da Líbia, em 2018, graças a este programa da OIM, presente no país desde a queda do Governo de Muammar Kadhafi, em 2011.
A situação na Líbia, país imerso num caos político e de segurança desde a queda de Kadhafi e devido a divisões e lutas de influência entre milícias e tribos, agravou-se recentemente.
O agravamento ocorreu depois das forças lideradas pelo marechal Khalifa Haftar, o homem forte da facção que controla o Leste da Líbia e que disputa o poder político líbio, terem iniciado a 4 de Abril uma ofensiva contra Tripoli, onde está o Governo de Acordo Nacional, estabelecido em 2015 e reconhecido pela comunidade internacional (incluindo as Nações Unidas).
Organizações humanitárias internacionais alertaram para o agravamento da situação dos migrantes desde o início dos combates nas proximidades da capital líbia.
Também a missão das Na-ções Unidas na Líbia (MANUL) expressou diversas vezes preocupação com a situação dos migrantes e refugiados “em risco nos centros de detenção próximos de zonas de conflitos”. Apesar da instabilidade, a Líbia continua a ser um importante país de trânsito para migrantes que fogem de conflitos noutras partes da África e do Médio Oriente.

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