Mundo

Forças estrangeiras acusadas de apoiar protestos violentos

O Governo chinês anunciou sexta-feira ter detectado a intervenção de “forças estrangeiras”, particularmente dos Estados Unidos, nas manifestações contra a Proposta de Lei de Extradição que há mais de dois meses abalam Hong Kong.

Pequim acusa os EUA de instigarem as manifestações populares
Fotografia: DR

Em conferência de imprensa, o ministro conselheiro da Embaixada da China em Espanha, Yao Fei, acusou diplomatas norte-americanos de se reunirem com líderes da oposição de Hong Kong para discutirem possíveis sanções contra a China, face aos protestos na antiga colónia britânica.
O Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros convocou, entretanto, um alto funcionário do consulado dos EUA em Hong Kong para exigir esclarecimentos e expressar insatisfação, segundo a Lusa.
“Temos a certeza de que por detrás destas manifestações e destes movimentos estão algumas forças estrangeiras e queremos perguntar qual o papel que as agências e até mesmo os funcionários diplomáticos norte-americanos estão a desempenhar na escalada da situação em Hong Kong”, acrescentou.
O diplomata chinês referia-se a uma fotografia em que aparece uma funcionária da secção política do consulado dos Estados Unidos em Hong Kong, identificada pela imprensa local como Julie Edaeh, reunida com o líder do movimento independentista local.
O diplomata chinês considerou tratar-se de “uma motivação” para “escalar a situação” e uma violação das convenções internacionais. E acusou “alguns estrangeiros” de ensinar métodos para intensificar o nível dos “tumultos”.
O embaixador chinês em Angola, Gong Tao, abordou a situação em Hong Kong e também acusou forças de “alguns países estrangeiros” de interferência nos assuntos internos da República Popular da China.
Num artigo de opinião publicado ontem no Jornal de Angola, Gong Tao refere que “forças estrangeiras têm instigado e apoiado as manifestações violentas, interferindo nos assuntos internos da China, provocando uma enorme indignação do povo chinês, incluindo os compatriotas de Hong Kong”.
O embaixador da China em Angola esclareceu que a emenda do Governo de Hong Kong aos Decretos de Infractores Fugitivos e de Assistência Judiciária Mútua em Assuntos Penais (Projecto de Lei de Extradição), “visa preencher lacunas no sistema legal e evitar que a metrópole se torne num paraíso dos criminosos”.
Para exemplificar, Gong Tao citou o caso de um cidadão de Hong Kong que em Fevereiro de 2018 assassinou a namorada em Taiwan e fugiu para a sua metrópole de origem.
Devido à falta do acordo de assistência judiciária e entrega de infractores fugitivos entre Hong Kong e Taiwan, refere Gong Tao, o criminoso não pode ser entregue a Taiwan para julgamento, mesmo que o caso fosse esclarecido pela Polícia.
Face a esta grande lacuna no sistema legal, segundo Gong Tao, o Governo de Hong Kong apresentou uma Proposta de Lei, a fim de cooperar com a China continental, Macau e Taiwan na entrega dos suspeitos fugitivos e evitar a fuga dos criminosos da Justiça.
As autoridades chinesas argumentam que a Proposta de Lei de Extradição “é muito normal”, mas que os oponentes aproveitaram para difamar o sistema legal da China continental, “com rumores e informações falsas”, gerando “mal-entendidos e desinformação na imprensa internacional”.
Grupos de manifestantes protagonizam há mais de um mês uma série de protestos violentos contra a medida governamental, apesar dela ter sido suspensa.
A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respectivamente, decorreu sob o princípio “um país, dois sistemas”, precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.
Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo Central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

Tempo

Multimédia