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Forças líbias discutem na Tunísia plano de paz

Negociadores do Governo de União Nacional e do Parlamento de Tobruk, ambos da Líbia, retomaram o diálogo na Tunísia, depois de os seus respectivos governos aceitarem o primeiro pacote de emendas ao Acordo Nacional de 2015, proposto pelo novo enviado especial da ONU, Ghassan Salamé.

Seis anos após a OTAN contribuir para a queda de Muammar Kadhafi a Líbia é um Estado falhado e vítima do caos
Fotografia: Abdullah Doma | AFP


Segundo um comunicado divulgado no fim-de-semana pela missão da ONU para a Líbia (UNSMIL), o diplomata libanês felicitou os líderes de ambos os comités ao início do encontro, que foi realizado à porta fechada num hotel do Norte de Tunes.
“Felicito os dois comités pelo seu seguro retorno após as amplas consultas e desejo um sucesso que permita chegar a um entendimento para tirar o processo político do impasse em que se encontra”, afirmou Ghassam Salamé.
O diplomata também manifestou esperança para que seja acordado “um mecanismo que permita formar um novo Conselho Presidencial em alguns dias” e um avanço para “a unidade do país e das instituições públicas e prepare a Líbia para as próximas eleições presidenciais, legislativas e municipais”.
Tanto o Conselho de Estado, órgão vinculado ao Governo de União Nacional reconhecido pela ONU e as potências ocidentais, que exerce a sua autoridade em Tripoli, como o Parlamento em Tobruk, dominado pelo marechal Khalifa Haftar e não reconhecido pela ONU e as potências ocidentais, aprovaram esta semana o primeiro ponto do plano proposto por Ghassam Salamé no final do mês passado. O marechal Khalifa Haftar lidera o Governo de Tobruk e controla 70 por cento do território líbio, incluindo os principais enclaves petroleiros e não reconhece o Governo de Fayez Al Sarraj, imposto pela ONU após forçar o Acordo de Reconciliação de Skhirat.
As duas instituições aceitaram a formação de um novo conselho estatal restrito, com um presidente e dois vice-presidentes, independente da presidência do Governo.
Segundo o calendário proposto, todas as emendas ao Acordo Nacional, forjado pela ONU em 2015 e que desde então acentuou ainda mais a divisão do país, devem entrar em consenso e ser aprovadas antes do fim do mês de Novembro para poder convocar novamente eleições em 2018.
No mês passado, a União Africana realizou, em Brazzaville, capital da República do Congo, uma reunião destinada a aproximar os pontos de vista das partes em conflito na busca de uma solução negociada para a crise que assola a Líbia.
A cimeira foi presidida pelo Chefe de Estado congolês, Denis Sassou-Nguesso, com o objectivo de ajudar os cidadãos líbios a fazerem concessões para ultrapassar “a fase de obstrução política que mina a conclusão do acordo político e estimular os esforços de reconciliação nacional”.
Um relatório de 1 a 31 de Agosto deste ano da Missão de Apoio da ONU na Líbia revelou que neste período pelo menos 21 civis foram vítimas de hostilidades no país, com um saldo de sete mortos e 14 feridos.
No documento é referido que a maioria dos danos sofridos pelas vítimas, essencialmente civis, foram causados por engenhos explosivos de guerra, disparos de armas de fogo e artefactos similares.
Também em Agosto, o Presidente do Sudão afirmou que a crise política na Líbia afecta o Sudão, uma vez que os traficantes dos seres humanos utilizam o seu território para cometer crimes.
Omar al-Béchir, que falava em Cartum, na presença do chefe do Governo líbio de União Nacional, Fayez al-Sarraj, disse que a insegurança na Líbia “custou muito caro ao Sudão na luta contra a imigração clandestina”. “Somos directamente afectados pela insegurança na Líbia, que tornou cara a nossa luta contra o tráfico de seres humanos, a imigração clandestina e os crimes transfronteiriços”, disse Omar al-Béchir.           
Milhares de imigrantes originários dos países do Corno de África entram anualmente na Líbia, após passar pelo Sudão, para posteriormente tentar atravessar o Mediterrâneo, com destino à Europa.
Seis anos após a OTAN contribuir para a queda do Presidente Muammar Kadhafi, a Líbia é um Estado falido, vítima do caos, da guerra civil, da proliferação de armas e da ausência de órgãos de segurança capazes de impor a ordem.
Aos dois Governos que disputam o poder, o de Tripoli e o de Tobruk, ambos apoiados por diferentes milícias que frequentemente mudam de esquadrão e mantêm difusas relações com grupos terroristas e com máfias dedicadas a o todo tipo de contrabando, junta-se a cidade-Estado de Misrata, principal porto comercial do país, na qual dezenas de grupos armados mudam frequentemente de alianças.
O caos no país favoreceu o desenvolvimento de máfias dedicadas ao contrabando de petróleo, de armas, drogas e até mesmo de pessoas.

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