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Frelimo pede o apoio popular para desmobilizados da Renamo

A Comissão Política da Frelimo apelou, sexta-feira, a todos os moçambicanos para receberem de “braços abertos” os membros da Renamo que estão a ser desmobilizados, no âmbito do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, assinado na terça-feira.

Acordo de paz define etapas para que guerrilheiros da Renamo entreguem as armas
Fotografia: DR

“A Comissão Política apela ao envolvimento de todos, para a materialização destes acordos e exorta a sociedade a acolher de braços abertos os desmobilizados da Renamo, para que rapidamente se insiram na sociedade e colham os frutos da paz”, refere num comunicado do partido no poder em Moçambique citado pela agência Lusa.
O entendimento assinado pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade, é um marco histórico que revigora a confiança de um futuro de desenvolvimento para todos, segundo aquele órgão decisório da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
“O Acordo de Paz e Reconciliação Nacional de Maputo, precedido do Acordo de Cessação de Hostilidades Militares, assinado em Gorongosa, província de Sofala, responde aos anseios de todo o povo moçambicano, que sempre clamou pela paz, como condição para o desenvolvimento”, refere o texto.
A Comissão Política da Frelimo enaltece a pronta resposta dada pela Assembleia da República, ao aprovar, por unanimidade e aclamação, a Lei da Amnistia, o que demonstra a vontade de agilizar o processo de paz, mas também o reforço do espírito de reconciliação e irmandade.
O Acordo de Paz e Reconciliação Nacional visa encerrar, formalmente, meses de violência armada entre as forças governamentais e o braço armado da Renamo.
No âmbito das negociações para uma paz duradoura no país, a Assembleia da República aprovou o pacote de descentralização, que prevê a eleição de governadores provinciais, estando em curso o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração do braço armado da Renamo.

União Europeia acompanha processo
A alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa, Federica Mogherini, garantiu a semana passada, em Maputo, que vai continuar a acompanhar o processo de aplicação do acordo de paz em Moçambique.
Segundo a Lusa, a alta representante da União Europeia falava momentos após ser recebida em audiência pelo Chefe de Estado moçambicano, Filipe Nyusi, na Presidência da República.
Além de apoiar o país na consolidação da paz com 50 milhões de euros, um valor já anunciado, Federica Mogherini disse que a UE tem interesse em destacar uma equipa de observadores para acompanhar as eleições gerais de 15 de Outubro. “Será extremamente importante garantir um ambiente de eleições inclusivas e transparentes”, declarou Federica Mogherini, que esteve em Moçambique para acompanhar na terça-feira a assinatura do acordo entre o Chefe de Estado e o líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Ossufo Momade.
O Acordo de Paz e Reconciliação Nacional assinado é o terceiro entendimento entre as duas partes, uma vez que, além do Acordo Geral de Paz de 1992, que acabou com uma guerra civil de 16 anos, foi assinado em 5 de Setembro de 2014 o acordo de cessação das hostilidades militares, que terminou, formalmente, com meses de confrontos na sequência de diferendos sobre a lei eleitoral.
Após a assinatura do acordo de 2014, o braço armado da Renamo e as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas voltaram a envolver-se em confrontos, na sequência da recusa do principal partido da oposição em reconhecer os resultados das eleições gerais.
No encontro com o Chefe de Estado moçambicano, a alta representante da União Europeia também debateu o apoio da UE à reconstrução após a passagem de dois ciclones, em Março e Abril, no centro e norte do país, respectivamente, além de analisar o estado da cooperação entre Moçambique e UE em diversos sectores.

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