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Governo de Johnson abalado por derrotas

Críticas da Polícia e médicos culminaram com uma semana de derrotas e deslizes políticos do Governo do Primeiro-Ministro britânico, Boris Johnson, em funções há pouco menos de dois meses.

Fotografia: DR

Depois de surpreender o Parlamento com o facto consumado da autorização da Rainha Isabel II para suspender os trabalhos dos deputados durante cinco semanas, o Primeiro-Ministro britânico parecia estar numa posição de força.
A medida foi vista como uma tentativa de limitar significativamente o tempo para os deputados apresentarem medidas para impedir uma saída do Reino Unido da União Europeia (UE) sem acordo.
Mas a rebelião de 21 deputados conservadores possibilitou aos partidos da oposição introduzirem, na terça-feira, um projecto de lei para forçar o Governo a pedir um novo adiamento do “Brexit” por três meses.
A passagem das etapas de aprovação na Câmara dos Comuns, na generalidade e especialidade, na quarta-feira, significaram mais duas derrotas do Governo, a que se somou outra, a do chumbo da proposta de eleições antecipadas, inviabilizada no mesmo dia pela oposição.
O “verniz da máquina governamental”, que durante semanas se aplicou em anúncios de mais dinheiro para a Polícia, escolas, hospitais e infra-estruturas, continuou a estalar. A expulsão dos 21 conservadores “rebeldes”, entre os quais o neto de Winston Churchill, Nicholas Soames, e o mais antigo deputado em funções, Ken Clarke, resultou em críticas dentro e fora dos “tories”.
“Tiraram-me do grupo parlamentar após 37 anos como deputado conservador. Votei contra o Governo três vezes em 37 anos”, queixou-se Soames, deixando implícita uma crítica a outros deputados conservadores, incluindo a Johnson, que desrespeitaram a disciplina do partido noutras ocasiões.
Boris Johnson também foi desafiado a desculpar-se pelo chefe da Polícia de West Yorkshire, que disse ter ficado “desiludido” com o Primeiro-Ministro por ter usado uma visita, na quinta-feira, a uma academia de Polícia e um discurso com cadetes como pano de fundo para falar do “Brexit”.
“Não tínhamos conhecimento prévio de que o discurso seria ampliado para outros assuntos”, queixou-se John Robins.
Mas o rombo mais grave foi dado pelo próprio irmão, Jo Johnson, que se demitiu na quinta-feira, invocando incompatibilidade entre “lealdade à família e o interesse nacional”.
A notícia fez ressurgir declarações de Boris Johnson, em 2013, quando comentou ao jornal “The Australian” a candidatura de Ed Miliband contra o irmão David nas eleições para a liderança do Partido Trabalhista. "Nós não fazemos as coisas dessa maneira, isso é uma coisa de esquerda. Apenas um socialista poderia fazer isso!.

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