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Governo receia mais violência nos protestos do fim-de-semana

O Governo francês admitiu ontem, em comunicado, temer “uma grande violência” no sábado, depois de no passado fim-de-semana terem sido detidas mais de 400 pessoas, no âmbito dos protestos dos “coletes amarelos”.

Executivo fala em extremistas que pretendem um confronto com as forças da ordem
Fotografia: DR

Citado pela agência de notícias France Presse, o texto afirma: “temos motivos para temer uma grande violência”.
A declaração do Executivo surge numa altura em que se multiplicam os apelos a uma nova mobilização de “coletes amarelos” por toda a França.
Os apelos surgem não obstante o Presidente francês, Emmanuel Macron, ter dado mais um passo para aplacar o mal-estar liderado pelos “coletes amarelos”, ao anular a taxa sobre combustíveis em vez de a suspender durante seis meses, como tinha sido anunciado na terça-feira. Com este novo anúncio, o Governo francês pretendia evitar a todo o custo que se repitam no próximo sábado as cenas de guerrilha urbana dos protestos do passado dia 1, em Paris.
Mais de 400 pessoas foram detidas no sábado em Paris, de acordo com o chefe de Polícia, que falou de actos de violência de “gravidade sem precedentes”.
Há três semanas que os franceses saem à rua, bloqueando rotundas e auto-estradas do país, primeiro para exigir a suspensão de um novo imposto sobre os combustíveis, mas depois também para denunciar o empobrecimento.
A ministra do Interior francesa, Jacqueline Gourault, advertiu para a existência de manifestantes violentos entre os denominados “coletes amarelos” que querem “que a França caia no caos”.
Em entrevista ao canal BFMTV, Jacqueline Gourault destacou que esta não é a intenção de todos os “coletes amarelos”, mas sim de uma parte e deu o exemplo de um porta-voz extremista que expressou vontade de invadir o Palácio do Eliseu, sede da Presidência.
 A ministra do Interior explicou que, tendo em conta os protestos marcados para o próximo sábado, particularmente em Paris, recebeu informações de que “além dos 'coletes amarelos', há pequenos grupos que querem o confronto”, de modo que “há o risco de as coisas correrem mal”. Os cinco maiores sindicatos do país reuniram-se para discutir a crise social que se vive no país.

  Sindicatos condenam arruaça nas manifestações

Sete sindicatos franceses rejeitaram ontem “todas as formas de violência” nas manifestações de “coletes amarelos”, um dia depois do pedido do Governo aos partidos políticos e parceiros sociais para lançarem um apelo claro à calma.
“O diálogo e a escuta devem encontrar o seu lugar no nosso país”, escreveram os sindicatos CFDT, CGT, FO, CFE-CGC, CFTC, UNSA e FSU, à saída de um encontro conjunto na sede da CFDT.
“Por isso, as nossas organizações rejeitam todas as formas de violência na expressão das reivindicações”, acrescentaram.
A união sindical 'Solidaires', também presente na reunião, demarcou-se da declaração comum, inédita para os sindicatos franceses. “Hoje, num clima muito deteriorado, a mobilização dos 'coletes amarelos' permitiu a expressão de um descontentamento legítimo. O Governo, com muito atraso, abriu finalmente as portas ao diálogo”, consideraram os sindicatos. Perda de poder de compra, salários, habitação, transportes, presença e acessibilidade dos serviços públicos e fiscalidade devem “ter soluções concretas, criando as condições sociais de uma transição ecológica eficaz e justa”, refere a declaração.
Os sete sindicatos apelaram ainda ao Governo para que “garanta verdadeiras negociações” sobre estas questões.
Muitos franceses, envergando “coletes amarelos”, estão a manifestar-se nas ruas há três semanas, bloqueando rotundas e auto-estradas, primeiro para exigir a suspensão de um novo imposto sobre os combustíveis, mas depois também para denunciar o aumento de preços e a perda de poder de compra.
No sábado, as manifestações de Paris degeneraram em violência, com carros incendiados e montras partidas, tendo resultado na detenção de mais de 400 pessoas.

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