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Grupo "Estado Islâmico" perdeu a cidade de Raqa

Apoiadas pelos Estados Unidos, as forças antiterroristas sírias controlam mais de 90 por cento da cidade de Raqa,  revelou ontem, em Londres, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), para quem a batalha para reconquistar o reduto do Estado Islâmico “pode estar a chegar ao fim”.

Aviões da Coligação Internacional ajudaram os iraquianos a expulsar os extremistas do país
Fotografia: Mohamad Abazeeb | AFP

Há três meses sitiados nesta cidade do norte da Síria, os terroristas parecem incapazes de resistir aos intensos ataques aéreos da coligação dirigida pelos EUA.
“Graças aos ataques aéreos intensivos da coligação, em 48 horas, o Estado Islâmico  retirou-se de cinco bairros, o que significa que as Forças Democráticas Sírias (FDS) controlam agora 90 por cento da cidade de Raqa”, relata o OSDH num comunicado. “Os extremistas perderam todos os bairros no norte de Raqa e estão confinados no centro da cidade”, lê-se no documento.
Também em comunicado, as Forças Democráticas Sírias indicaram que, nos últimos cinco dias, as suas forças lançaram um ataque surpresa no norte da cidade, libertando vários sectores e dispersando forças extremistas.
“Graças a esse avanço, estamos nas últimas etapas da campanha 'Fúria de Eufrates' (o nome da batalha de Raqa), que está a chegar ao seu fim”, acrescentaram as Forças Democráticas Sírias.
Segundo o director do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, Abdel Rahman, com a morte de vários de seus membros nas últimas semanas, já não conseguem resistir em Raqa, porque estão a ficar sem recursos militares e sem alimentos.
Os combatentes do Estado Islâmico também não conseguem atender a seus feridos e se retiraram para o centro da cidade, onde se sentem mais seguros. As Forças Democráticas Sírias entraram em Raqa no início de Junho e, a cada dia, estão mais perto de se apoderar da cidade, a capital de facto do Estado Islâmico  na Síria.
Abdel Rahman adverte, porém, que o avanço das Forças Democráticas Sírias nos dez por cento que ainda faltam ser conquistados na cidade pode ser uma operação complexa por causa do grande número de minas espalhadas na zona pelo Estado Islâmico.
A coligação internacional dá um apoio crucial às Forças Democráticas Sírias, uma aliança de combatentes curdos, maioritariamente, e árabes, que lançou uma grande ofensiva em Novembro para expulsar o Estado Islâmico da cidade que era controlada desde 2014.
“Continuaremos com a campanha até atingirmos o nosso objectivo”, garantiu o porta-voz da operação “Fúria do Eufrates”, Jihan Sheikh Ahmad, sem confirmar a cifra de 90 por cento citada pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
As forças árabe-curdas realizam uma ofensiva em separado na província vizinha de Deir Ezzor, no leste do país, para expulsar os “jihadistas” dos territórios sob seu poder nessa região fronteiriça com o Iraque. É o último bastião do Estado Islâmico  na Síria.
Deflagrado em 2011 com a repressão por parte do governo Bashar al-Assad de manifestações pacíficas contra ele, o conflito na Síria transformou-se numa complexa guerra, envolvendo países estrangeiros e grupos radicais num território cada vez mais fragmentado. Até agora, são mais de 330.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

Confrontos

Confrontos e bombardeamentos já deixaram pelo menos 94 mortos no norte da província de Hama e no sul da vizinha Idleb, ambas no nordeste da Síria, informou ontem o Observatório Sírio de Direitos Humanos.
A ONG informou que pelo menos nove civis morreram após ataques aéreos realizados por aviões da Rússia e da Síria contra um hospital e pelo menos seis bairros das duas províncias.
Além disso, 54 combatentes de facções islâmicas morreram nos confrontos registados nas duas regiões, onde luta a Organização para a Liberdade do Levante - a aliança comandada pela ex-filial da Al Qaeda na Síria, a Frente al Nusra.
As tropas leais ao Presidente da Síria, Bashar al Assad, por sua vez, perderam 31 soldados nos combates registados desde ontem. As facções islâmicas lançaram ontem uma ofensiva em Hama e Idleb baptizada como a última tentativa. O objectivo era recuperar os territórios perdidos nos últimos meses para os adversários, mas estão em dificuldades.

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