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Guiné-Bissau: Ex-ministra da Justiça foi impedida de viajar

O advogado da ex-ministra da Justiça, da Guiné-Bissau, Ruth Monteiro, confirmou, ontem, à Lusa, que foi impedida, quinta-feira, de viajar, quando estava no aeroporto da capital, e teve de refugiar-se numa Embaixada europeia, revelou a Deutshe Welle.

Ex-ministra da Justiça, da Guiné-Bissau, Ruth Monteiro.
Fotografia: DR

Nesse mesmo dia, em declarações à Deutshe Welle, disse temer pela sua segurança e acusou o novo Governo de usar a força das armas para amedrontar os membros do Governo de Aristides Gomes. A advogada de profissão, que depois da demissão, em Janeiro, de Suzi Barbosa, passou a acumular a pasta dos Negócios Estrangeiros, considera que não há nenhum fundamento legal que a impeça de viajar. Diz que é acusada de não entregar o carro emprestado pelo sistema das Nações Unidas e que a viatura já foi devolvida “há muito tempo”.
“A primeira vez que fui impedida de viajar tive a informação, através da pessoa que foi fazer o check-in por mim, que eu constaria de uma lista onde estão as pessoas impedidas de sair do país. Não deram qualquer fundamento para a existência da lista e quais eram as razões para estar nessa lista. Mas depois tive a informação de que seria por causa da não entrega do carro do Ministério da Justiça. Como não havia nenhum carro do Ministério da Justiça para entregar, o carro que eu usava era o que me tinha sido cedido pelo Programa das Nações Unidas de Ajuda ao Desenvolvimento (PNUD) e eu tinha o documento e o termo da entrega", disse.
Ruth Monteiro diz não ter dúvidas de que está a ser vítima de perseguição política e refere que “o que eles querem é que eu não saia do país. Eles não têm a mínima dúvida da falsidade das acusações que colocam contra mim, mesmo a nível internacional. Portanto, isto só pode ser entendido como uma perseguição política. Aliás, devo aqui dizer que não sou o único membro do Governo que está a ser perseguido. A ministra da Saúde, Magda Robalo, está, igualmente, a ser objecto de perseguição. Quando ela estava no hospital de Cumura, que pertence à diocese, a formar profissionais de Saúde sobre o coronavírus, esses profissionais foram ameaçados por terem acedido a receber essa formação. Ela foi ameaçada de que, se não parasse de interferir nos assuntos que entendem ser do Ministério da Saúde sentiria as consequências desse acto”, sublinhou.
Sobre a actual situação na Guiné-Bissau, Ruth Monteiro recorda que “a mim, a 28 de Fevereiro já houve uma tomada de posse simbólica de um Presidente da República que é absolutamente contra o Estado de Direito - no Estado de Direito não se toma posse simbólica, porque quem toma posse simbólica não tem poderes para demitir o primeiro-ministro, não tem poderes para criar o novo Governo e não pode declarar o Estado de Sítio”.

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