Mundo

Guiné-Bissau: Polícia prende director dos Serviços de Migração

A Polícia Judiciaria (PJ) da Guiné-Bissau prendeu, sábado ao fim do dia, o director-geral dos Serviços de Migração, Estrangeiros e Fronteiras, Alassana Djaló, num caso de alegado envolvimento no desaparecimento de cocaína, disse, ontem à Lusa, fonte da corporação.

Além do director dos Serviços de Migração, a Polícia Judiciária investiga outros casos
Fotografia: DR

Djaló foi detido em Bissau, após algumas horas de audição na sede da PJ, num caso de desaparecimento de 83 cápsulas de cocaína que a Polícia apreendeu na posse de um cidadão luso-guineense que se preparava para viajar para Lisboa.

A fonte da PJ precisou que os agentes destacados no aeroporto internacional Osvaldo Vieira apreenderam as cápsulas e detiveram o suspeito, mas horas depois um contingente da Guarda Nacional ordenou a libertação do homem e levaram consigo as 83 cápsulas que os testes comprovaram ser cocaína pura. O caso remonta ao mês de Março. A PJ acredita que as cápsulas recuperadas das mãos da Guarda Nacional, “foram adulteradas”.

As investigações da PJ revelaram que a ordem de libertação e apreensão das cápsulas teriam partido de Alassana Djaló, na altura comandante da Divisão de Investigação Criminal da Guarda Nacional, refere a fonte policial.

“O caso já é do conhecimento das autoridades”, disse a fonte da PJ, sublinhando que, hoje, Alassana Djaló será presente ao Juiz de Instrução Criminal (JIC) para validação ou não da sua prisão preventiva.


Embaló saúda postura dos militares

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, saudou, ontem, o afastamento das Forças Armadas das “querelas políticas desde 2014”, considerando que tal permitiu ao país estar em paz e concentrar-se no desenvolvimento.

Segundo a Lusa, num discurso para assinalar o fim da missão das forças da Ecomib (contingente militar oeste-africano) na Guiné-Bissau, Sissoco Embaló felicitou aquelas forças, bem como as da Guiné-Bissau, pelo “comportamento exemplar”.

“Hoje estamos engajados em manter a paz no nosso país, demos sinais claros da vontade de mudar a página da nossa história política recente e encontrar o caminho para o desenvolvimento, e para isso conto com a participação de todos os guineenses”, disse o Chefe de Estado guineense.

O Presidente guineense agradeceu a contribuição da Ecomib (força constituída por militares e polícias de quatro países da África Ocidental), os líderes de todos os países da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e instituições sub-regionais.

“Decorridos quase nove anos desde a data, em que a força da Ecomib chegou ao nosso país, as autoridades e o povo guineense registaram com particular satisfação o comportamento exemplar por eles demonstrado, apesar de estarem longe dos seus familiares, amigos e os demais que lhes são próximos”, frisou o Chefe de Estado da Guiné-Bissau.

O Presidente guineense manifestou-se convicto de que o comportamento da Ecomib, que agora se prepara para deixar a Guiné-Bissau, vai servir de exemplo às forças de defesa e segurança do país.

“O país conta, neste momento, com um Presidente da República democraticamente eleito pelo povo, um Governo inclusivo e legitimado pelo povo, em plenas funções e com o programa de Governo e o Orçamento Geral do Estado aprovados pela Assembleia Nacional Popular”, disse.

O Chefe de Estado guineense considerou, ainda, que o país cumpriu todos os passos previstos no roteiro proposto pela CEDEAO para a estabilização do país, faltando apenas concluir a revisão constitucional, que, disse estar na fases final.

A força de interposição, constituída por cerca de 700 elementos, tinha como missão a protecção física dos titulares dos órgãos de soberania e principais líderes políticos guineenses.

 

Tempo

Multimédia