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Guineenses apelam em Lisboa à rejeição ao “Governo golpista”

Cerca de 40 pessoas concentraram-se, quinta-feira, junto da Assembleia da República, em Lisboa, para contestar o Presidente, Primeiro-Ministro e Governo da Guiné-Bissau, apelando ao Parlamento português que rejeitem o que disseram “os golpistas”.

Manifestantes exigem a saída do auto-proclamado Presidente Embaló e do PM
Fotografia: DR


Os manifestantes empunhavam cartazes com críticas a organizações internacionais, como a União Europeia (UE) e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

A organização regional foi criticada por Mariano Quade, que considerou que esta “está a funcionar por amiguismo”, acusando-a de “ter uma relação com o auto-proclamado Presidente” e tender a “fazer não uma posição mediadora, mas parcial, que coloca os outros actores políticos numa situação de desvantagem”. Há uma semana, a CEDEAO enviou “calorosas felicitações” ao Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, pela aprovação do programa do Executivo de Nuno Nabian.

“Gostaria de aproveitar esta oportunidade para endereçar-lhe as minhas calorosas felicitações pelo grande sucesso que acabou de obter, poucos meses após a sua eleição para a suprema magistratura do seu país”, refere a carta assinada pelo Chefe de Estado do Níger, Mahamadou Issoufou, que assume a presidência rotativa da CEDEAO, divulgada pelo Governo guineense.
O Presidente do Níger exortou Umaro Embaló a “continuar a trabalhar em conjunto com todos os filhos e filhas da Guiné-Bissau” para garantir a “paz e estabilidade” necessárias para o desenvolvimento económico do país.

“Exorto, também, que assegure o cumprimento escrupuloso do roteiro definido pela CEDEAO para sair da crise política e institucional que o seu país vive há vários anos”, salienta Mahamadou Issoufou.Na missiva é, também, garantido o apoio da CEDEAO à “conclusão do processo de reformas constitucionais já em andamento” para “mudar definitivamente a página sombria da instabilidade crónica que caracterizou a vida política” do país. Em Abril, a CEDEAO reconheceu Umaro Sissoco Embaló como vencedor das eleições presidenciais da Guiné-Bissau, pediu a formação de um Governo que respeitasse os resultados das eleições legislativas de 2019 e a realização de uma revisão constitucional. O Conselho de Segurança da ONU expressou, este mês, preocupação com os recentes incidentes na Guiné-Bissau e admitiu a possibilidade de adoptar “medidas apropriadas” em resposta à evolução da situação no país.

Embaixador exonerado

Umaro Sissoco Embaló exonerou, quinta-feira, Delfim da Silva de representante permanente da Guiné-Bissau junto das Nações Unidas, segundo um decreto presidencial divulgado à imprensa. Delfim da Silva tinha sido nomeado embaixador da Guiné-Bissau junto da ONU, em Julho de 2017, pelo anterior Chefe de Estado, José Mário Vaz. Antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Educação, Delfim da Silva é licenciado em Filosofia na antiga União Soviética.

 

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