Mundo

Guterres pede que se evite escalada de tensão no Golfo

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou ontem para a necessidade de evitar qualquer escalada de tensão no Golfo, face ao agravamento das relações entre os Estados Unidos e o Irão nos últimos dias.

Guterres discursou, em Lisboa, na Conferência Mundial de responsáveis pela Juventude
Fotografia: DR

“Neste momento vivemos no Golfo uma situação de grande tensão, como é sabido. Disse há dois dias que é preciso que todos tenham nervos de aço. É absolutamente indispensável evitar qualquer escalada”, disse António Guterres, à margem da Conferência Mundial de responsáveis pela Juventude.
“O mundo de hoje não pode suportar uma confrontação no Golfo, que teria consequências imprevisíveis”, afirmou Guterres.
Por sua vez, a presidente da Assembleia-Geral da ONU, a equatoriana Maria Fernanda Espinosa, pediu o máximo autocontrolo face ao aumento da tensão entre os Estados Unidos e o Irão e defendeu o diálogo como a única maneira de evitar um conflito.
“Quero unir a minha voz à do Secretário-Geral das Nações Unidas e à de muitos líderes a nível mundial, que fizeram um apelo para um máximo autocontrolo para que as tensões diminuam, e fazer um apelo ao diálogo, (...) porque é a única maneira, não há outra forma.
O diálogo, os acordos e um máximo autocontrolo para evitar um agravamento das tensões”, afirmou ontem Espinosa, numa entrevista à agência Lusa.
A presidente da Assembleia-Geral da ONU efectuou uma visita de três dias a Portugal por ocasião da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude 2019 e do Fórum da Juventude “Lisboa+21”, que juntou de sexta-feira até ontem na capital portuguesa centenas de responsáveis governamentais pela área da juventude, de jovens e de organizações internacionais.
A tensão entre o Irão e os Estados Unidos voltou a aumentar na quinta-feira com o derrube de um drone (aparelho aéreo não-tripulado) norte-americano pelas forças iranianas, que levou Washington a preparar ataques aéreos retaliatórios, cancelados à última hora pelo Presidente Donald Trump.
O Irão alega que o drone de vigilância marítima RQ-4A Global Hawk estava em espaço aéreo iraniano e que foi alertado várias vezes antes de ser lançado um míssil contra ele.
A versão iraniana é contestada pelos Estados Unidos, que afirmam que o drone foi abatido no espaço aéreo internacional no estreito de Ormuz, onde na semana passada dois petroleiros, um norueguês e um japonês, foram alvo de ataques, atribuídos por Washington a Teerão, que nega qualquer responsabilidade nos incidentes.
O estreito de Ormuz, no Golfo de Omã, ao largo do Irão, é uma área considerada como vital para o tráfego mundial de petróleo.
Ainda na quinta-feira, o Irão declarou que pretendia levar o caso do drone norte-americano perante a ONU para demonstrar que “os Estados Unidos mentem” e que Washington atacou a República Islâmica.
O Irão lançou um novo aviso a Washington, com as forças armadas iranianas a advertirem que o mínimo ataque contra o seu território terá “consequências devastadoras” para os interesses norte-americanos na região.
O Conselho de Segurança da ONU realiza hoje, a pedido dos EUA, uma reunião à porta fechada para falar sobre os últimos desenvolvimentos relacionados com o Irão, confirmaram fontes diplomáticas citadas no fim-de-semana pelas agências internacionais de notícias.
O clima de tensão entre o Irão e os Estados Unidos dura há bastante tempo, mas a crispação tem aumentado desde que Donald Trump retirou os Estados Unidos, há um ano, do acordo nuclear internacional assinado em 2015 entre os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China (mais a Alemanha) - e o Irão, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.

 

 

Tempo

Multimédia