Mundo

Inclusão é o caminho para a estabilidade

O vice-representante especial do Secretário-Geral das  Nações Unidas para a Guiné-Bissau defendeu, ontem, em declarações à ONU News, que o caminho para se alcançar uma solução para o impasse político vivido neste país da África Ocidental passa por um diálogo inclusivo e pela busca de consenso.

Desenvolvimento da Guiné-Bissau continua adiado três anos depois das eleições gerais por divergências entre os dirigentes políticos
Fotografia: Jaimagem|Edições Novembro


Marco Carmignani defende que a consolidação da paz e da estabilidade na Guiné-Bissau pode resultar somente de um processo consensual, inclusivo e com apropriação nacional, que respeite a ordem constitucional, as reformas prioritárias dos sectores da Defesa, Segurança e Justiça.
A consolidação da estabilidade, prosseguiu, passa ainda pela promoção do Estado de direito, a protecção dos direitos humanos, a promoção do desenvolvimento socioeconómico e a luta contra a impunidade e o tráfico de drogas dentro de um marco de soberania, de independência, de unidade e de integridade territorial da Guiné-Bissau.
O Conselho de Segurança, acrescentou, pede que haja condições necessárias para apoiar a realização das eleições legislativas e presidenciais, previstas para 2018 e 2019.
Marco Carmignani sublinhou que a data das eleições legislativas e presidenciais é uma decisão que compete às autoridades nacionais. “A lei eleitoral prevê que as datas das eleições são tornadas públicas por decreto presidencial tendo em conta os termos do mandato da actual legislatura e de outros postos electivos”, afirmou.

Regresso de antigos dirigentes

Entretanto, mais de 60 mil cidadãos da Guiné-Bissau assinaram uma petição que exige a criação de condições para o regresso ao país dos ex-dirigentes a viver no estrangeiro por questões políticas, anunciou esta semana o coordenador do movimento.
 Os resultados da petição pública foram divulgados pelo antigo ministro guineense do Interior, Fernando Gomes, coordenador de um movimento de cidadãos que quer o regresso de ex-dirigentes que actualmente vivem em Cabo Verde e Portugal. Entre os subscritores da petição destacam-se o Presidente guineense, José Mário Vaz, o líder do Parlamento, Cipriano Cassamá, e o primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló.
Fernando Gomes disse que os promotores da petição tinham como objectivo a recolha de 50 mil assinaturas, mas conseguiram reunir mais de 60 mil até segunda-feira, mesmo sem contar com a adesão da comunidade guineense na diáspora. O movimento liderado por Fernando Gomes vai agora entregar os resultados da petição pública aos actuais dirigentes do país e aos representantes da comunidade internacional, exigindo que se crie condições de segurança para o regresso dos antigos responsáveis.
Vários antigos dirigentes guineenses encontram-se a residir no estrangeiro, na sequência de convulsões político-militares, com destaque para os antigos primeiros-ministros Francisco Fadul e Carlos Gomes Júnior, o antigo presidente interino Raimundo Pereira e o líder partidário Iancuba Indjai.

Três anos de frustrações

A Guiné-Bissau assinalou no dia 13 deste mês o terceiro ano da realização das eleições gerais de 2014, que puseram fim a um conturbado período de transição, fruto de um golpe de Estado, liderado pelo então chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas,  António Indjai.
O vencedor das mais recentes eleições legislativas foi o PAIGC, que indicou para primeiro-ministro o seu líder, Domingos Simões Pereira. José Mário Vaz, também com o apoio do PAIGC, foi eleito Presidente da República.
Um dia depois, a Guiné-Bissau voltava à normalidade constitucional, mas até hoje continua uma grave crise política e institucional. Apesar de muitos guineenses afirmarem que foram três anos de algum sinal de optimismo, que compreendem a situação e acreditam no futuro do país, a esmagadora maioria dos guineenses fala em frustrações e que todas as expectativas criadas à volta das eleições de 2014 não passaram de ilusões.

SAPO Angola

Tempo

Multimédia